Além da hipocrisia com essa sinalização de virtude boba, já que ela vive de expedições que obviamente geram bastante impacto ambiental, tem uma outra questão aqui: O livro não existe economicamente apenas para remunerar a autora. Ele é o produto final de uma cadeia enorme de pessoas, empresas, capital e trabalho. E isso não funciona sem lucro.
Além da hipocrisia com essa sinalização de virtude boba, já que ela vive de expedições que obviamente geram bastante impacto ambiental, tem uma outra questão aqui: O livro não existe economicamente apenas para remunerar a autora. Ele é o produto final de uma cadeia enorme de pessoas, empresas, capital e trabalho. E isso não funciona sem lucro.
Teria a editora publicado esse livro se soubesse que a autora ia dar essa lacrada pedindo pra não comprarem mais seus livros? Ou seria o mesmo contrato, com as mesmas condições? 🤔
Outro ponto: O sucesso comercial do livro é justamente o sinal de mercado que incentiva a produção de mais literatura.
Uma editora observa que Tamara vendeu muito e pensa: vale a pena financiar outros livros dela e talvez de outros exploradores. Outras editoras observam que livros de viagem, aventura, natureza etc. vendem e investem em novos autores.
Quando ela pede para as pessoas não comprarem o livro ela está incentivando a retirada desse importante sinal de mercado.
Tamara tem todo o direito de incentivar bibliotecas, empréstimos e livros usados. Mas há uma incoerência em contratar voluntariamente uma cadeia empresarial cuja finalidade é produzir e vender seu livro, beneficiar-se economicamente e reputacionalmente do sucesso dessa cadeia e, depois que o produto se torna bestseller, apresentar a interrupção da compra de novos exemplares como uma escolha moralmente superior em nome do meio ambiente. 🙄
A própria atividade profissional dela depende de inúmeras outras cadeias produtivas cujo impacto ambiental é provavelmente muito maior por unidade consumida do que imprimir um livro.
Haja saco com esse bom-mocismo performático lacrador.
@Kathgurgel:
A escritora e navegadora Tamara Klink publicou um vídeo pedindo para que as pessoas não comprem mais o seu livro “Bom dia, Inverno” para que os exemplares já existentes circulem entre os leitores.
O livro detalha sua experiência de isolamento ao passar oito meses sozinha em um veleiro preso no gelo da Groenlândia.
“É muito triste na vida de um livro acabar numa biblioteca só e só ser lido uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta da natureza para esse livro existir”.🎥 IG | tamaraklink
![]()
Write a comment