Obrigada pela menção ❤️
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@opapoeconomico:
Uma matéria essa semana perguntou quanto R$ 1 milhão rende por mês. A resposta que viralizou: R$ 9,9 mil líquidos na Selic de 14%. (Na conta composta e com a alíquota inicial de 22,5% de IR, nem esse número existe: são R$ 9,3 mil no melhor caso.)A Renata Barreto, da AMB Multi Family Office, deu na mesma matéria a única resposta com a régua certa: R$ 3,3 mil, porque a pergunta que importa não é quanto rende, e sim quanto dá pra gastar sem consumir o patrimônio. A premissa dela: 4% reais ao ano, já descontada a inflação.
Eu testei essa régua contra 15 anos de dados reais de CDI e IPCA. Três aposentados hipotéticos, R$ 1 milhão cada, largada em janeiro de 2012:
O que sacou os R$ 9,9 mil por mês, corrigidos pela inflação, ficou SEM NADA em 2021. O dinheiro durou nove anos.
O que “viveu de renda”, sacando todo mês o que o CDI rendia sem nunca tocar no principal, empobreceu do mesmo jeito: o milhão dele hoje compra o que R$ 448 mil compravam na largada.
O que seguiu a regra da Renata terminou com R$ 691 mil de poder de compra. O melhor dos três, inclusive na conta mais justa, que soma tudo que cada um consumiu ao que sobrou: R$ 1,28 milhão de valor total, contra R$ 1,21 mi e R$ 1,10 mi.
Mas o teste revelou uma verdade ainda mais dura, e é aqui que quase todo mundo se engana:
Nem os R$ 3,3 mil são “sem empobrecer”. O aposentado da regra dos 4% consumiu um terço do patrimônio em 15 anos. O motivo é um vilão silencioso: o IR morde o ganho NOMINAL, ou seja, você paga imposto sobre a inflação. Os 4% reais brutos existiram (o CDI real do período foi 3,88%), mas líquidos viraram 2,4%. E em 2020 e 2021 a renda fixa PERDEU da inflação.
A renda verdadeiramente perpétua de R$ 1 milhão, líquida de imposto e com a inflação na meta, fica perto de R$ 2,5 mil por mês. Quatro vezes menos que o número que viralizou.
(E antes que alguém grite “mas a NTN-B paga 7% reais”: paga, por contrato e até o vencimento, e isso reforça o ponto. Travar juro real em título indexado é o oposto de apostar. Apostar é achar que o pós-fixado entrega juro real alto pra sempre.)
“Patrimônio é estoque, renda é fluxo”, como resumiu o André Braz, da FGV.
E aí entra o debate desta semana em Brasília: subir a meta de inflação pra “dar espaço” de cortar a Selic. Fiz essa conta também. Mantendo o mesmo juro real bruto de 4%, cada degrau de inflação a mais rouba renda líquida:
Inflação na meta de 3%: R$ 2.469 por mês, por milhão.
A 4,5% (a “flexibilização” em discussão): R$ 2.295.
A 6% (a meta que escorrega): R$ 2.126.Até R$ 343 por mês confiscados de cada milhão, sem votar imposto nenhum. E o dinheiro parado perde metade do valor em 23 anos com inflação de 3%. Com 6%, em 12.
Mudar a régua não cura a febre. Só transfere a conta pra quem poupou.
Fica o registro: a Renata foi a única da matéria que usou a régua honesta, e a conta completa mostra que a realidade é ainda mais dura do que ela teve espaço pra dizer. Aqui no Papo a gente admira demais profissional que prefere entregar a conta verdadeira a vender ilusão confortável.
fonte: simulação própria com CDI e IPCA do Mais Retorno (2012-2026, IR de 15%); premissa de 4% reais de Renata Barreto (AMB Multi Family Office)




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