Opinião

Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)
Opinião

O patronato, a prática de nomear aliados para cargos públicos, pode minar reformas meritocráticas, mesmo após escândalos. Democracias com forças políticas equilibradas podem se beneficiar da meritocracia como um desarmamento mútuo. No Brasil, o concurso público convive com o patronato em cargos de comando e com práticas clientelistas em estados e municípios.

  • O assassinato do presidente James Garfield em 1881 por Charles Guiteau, motivado pela frustração de não receber um cargo público, foi um marco para o recrutamento meritocrático nos EUA com o Pendleton Act.
  • Escândalos abrem espaço para reformas, mas sua consolidação depende do controle desproporcional de recursos de patronagem por uma força política.
  • A reforma meritocrática é mais provável quando as principais forças políticas controlam parcelas semelhantes de empregos públicos e esperam perdas equivalentes ao restringir o patronato.
  • O Brasil introduziu o concurso público na Constituição de 1934, com impulso sob o Estado Novo e criação do DASP em 1938.
  • A Constituição de 1988 generalizou o concurso, mas o resultado no Brasil foi a acomodação do patrimonialismo com a meritocracia, mantendo o patronato em cargos de comando e práticas clientelistas em níveis subnacionais.
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2026/08/do-cacador-de-empregos-a-captura-do-estado.shtml
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