Opinião
As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga
Um sobrado na Lapa, São Paulo, onde hoje funcionam consultórios médicos, foi palco de um massacre cometido por militares e policiais em dezembro de 1976. A operação, conhecida como a chacina da Lapa, visou membros do comitê central do PC do B, resultando em mortes, prisões e torturas. A versão oficial sobre a morte de uma das vítimas foi desmentida, e apurações posteriores indicaram a delação de um militante como responsável pela localização do grupo.
- O número 767 da rua Pio 11, na Lapa, foi o local de um massacre ocorrido em 16 de dezembro de 1976, considerado um dos últimos atos cruéis da ditadura militar brasileira.
- Militares do DOI-Codi e policiais do Dops, sob o comando do tenente-coronel Rufino Ferreira Neves e com a presença do delegado Sérgio Paranhos Fleury, executaram membros do comitê central do PC do B.
- A casa era vigiada pois abrigaria uma reunião para discutir erros da guerrilha do Araguaia e nova orientação estratégica do partido, então clandestino.
- Nove integrantes do comitê central foram presos enquanto deixavam o local em duplas, sendo capturados longe do motorista.
- Na manhã seguinte, a casa foi invadida e os líderes Ângelo Arroyo e Pedro Pomar foram metralhados.
- Franco Drummond foi outra vítima, morto sob tortura no DOI-Codi, com a versão oficial de atropelamento sendo desmentida.
- Um inquérito interno do PCdoB aponta Manoel Jover Telles como traidor, responsável por informar o Exército sobre a reunião.
- A chacina destruiu a direção do PCdoB, na época a única organização ainda estruturada, devido à delação de um veterano comunista.
https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/07/ha-50-anos-chacina-da-lapa-aniquilou-comite-central-do-pcdob-em-sp.shtml
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