Opinião

Texto de Ueliton Rocon tem forte ligação com 'As Criadas', de Jean Genet - Evelin Ramon / Divulgação
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A peça “As Bondosas” explora o ofício das carpideiras no Nordeste, utilizando a encenação para revelar a falsidade nas relações familiares e nos ritos de passagem, especialmente durante o velório de uma jovem de família abastada. A montagem, que dialoga com “As Criadas” de Jean Genet, desnaturaliza papéis de submissão feminina e expõe a hipocrisia de classes sociais através do humor ácido e da análise social. O espetáculo opera um desmascaramento coletivo, convidando o público a refletir sobre suas próprias convenções e opressões.

  • A peça “As Bondosas” aborda o tema das carpideiras, transformando o ritual de luto em uma farsa ácida sobre decadência moral.
  • O texto de Ueliton Rocon se inspira em “As Criadas” de Jean Genet, focando na ritualística do luto mercantilizado e na patrulha moral coletiva.
  • A trama se concentra no velório da filha caçula de uma família rica, cujas circunstâncias da morte são suspeitas, expondo a hipocrisia das relações.
  • A cenografia minimalista com caixotes de madeira simboliza bancos, o caixão e barreiras psicológicas e sociais.
  • Figurinos revelam a dualidade das carpideiras, com sapatos vermelhos contrastando com túnicas negras, indicando desejo reprimido e busca por liberdade.
  • A escalação de atores homens para papéis femininos cria um distanciamento estético crítico, desnaturalizando papéis de submissão histórica.
  • A direção equilibra sátira e análise social, usando o riso para desnudar a hipocrisia de contratantes e carpideiras.
  • O diretor Tom Pires explica o trabalho de manutenção da peça ao longo de treze anos, o uso de Philip Glass e da Orquestra de Câmara de Porto Alegre na trilha sonora, e como a escolha de atores homens potencializa a crítica à figura feminina e ao patriarcado.
    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/mise-en-scene/2026/07/comedia-acida-usa-carpideiras-para-desmascarar-convencoes-sociais.shtml
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