Banco Master: PGR arquiva pedido para investigar Alexandre de Moraes e sua esposa

Banco Master: PGR arquiva pedido para investigar Alexandre de Moraes e sua esposa

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento de um pedido de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, por suspeitas relacionadas ao Banco Master. A decisão, assinada em 27 de dezembro de 2025, concluiu que não havia elementos probatórios mínimos para justificar a abertura de uma investigação.

A representação havia sido apresentada pelo advogado Ênio Martins Murad em 24 de dezembro, após reportagens que apontaram possíveis interferências de Moraes junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a análise da tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Segundo informações publicadas por O Globo e confirmadas pelo Estadão, Moraes teria procurado Galípolo em diferentes ocasiões para tratar de interesses relacionados ao banco. As reportagens mencionaram ao menos quatro contatos e relataram que, em um único dia, o ministro teria telefonado seis vezes ao presidente do Banco Central. A suspeita era de que essas conversas tivessem como objetivo favorecer a operação de compra do Master pelo BRB, posteriormente rejeitada pelo órgão regulador.

Outro ponto da representação envolvia um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. Conforme as reportagens, o acordo previa pagamentos de aproximadamente R$ 3,6 milhões mensais durante 36 meses, totalizando cerca de R$ 129 milhões. O vínculo profissional foi mencionado como possível elemento de conflito de interesses, diante dos contatos atribuídos ao ministro com o Banco Central.

Na representação, Murad solicitou a apuração de possíveis crimes de tráfico de influência e advocacia administrativa, além de violações aos princípios da administração pública.

Ao examinar o pedido, Gonet considerou que as acusações se baseavam exclusivamente em reportagens jornalísticas, sem documentação ou provas independentes que demonstrassem a suposta pressão sobre o Banco Central. O procurador-geral também argumentou que o sigilo das fontes jornalísticas dificultava a verificação das informações atribuídas a interlocutores anônimos.

Sobre o contrato de Viviane Barci de Moraes, a PGR afirmou que a contratação de serviços advocatícios entre particulares não constitui, por si só, indício de ilegalidade. Por esse motivo, concluiu que não havia fundamento suficiente para uma investigação criminal, cível ou administrativa.

Moraes confirmou ter conversado com Galípolo, mas negou qualquer interferência na operação envolvendo o Banco Master. Segundo o ministro, os encontros trataram dos efeitos das sanções americanas previstas na Lei Magnitsky. O Banco Central também negou ter sofrido pressão para favorecer a instituição financeira.

O advogado Ênio Murad declarou à CNN Brasil que pretendia recorrer da decisão.

Fontes

Migalhas — G1 — Agência Brasil — CNN Brasil

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