Índia: milhares protestam contra exclusão de mais de 130 milhões de nomes dos cadastros eleitorais

Índia: milhares protestam contra exclusão de mais de 130 milhões de nomes dos cadastros eleitorais

Milhares de manifestantes participaram de uma marcha em Nova Délhi neste domingo para exigir a renúncia de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral da Índia. O protesto foi organizado por partidos de oposição, com participação do líder Rahul Gandhi, em meio a denúncias sobre uma ampla revisão dos cadastros de eleitores realizada pelas autoridades.

A revisão resultou na exclusão de mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais, número superior à população do Japão. Partidos oposicionistas afirmam que a operação prejudicou desproporcionalmente muçulmanos e integrantes de outras minorias, grupos considerados menos propensos a apoiar o Bharatiya Janata Party (BJP), partido do primeiro-ministro Narendra Modi.

A Comissão Eleitoral sustenta que o procedimento foi necessário para retirar registros duplicados e pessoas sem direito ao voto. O órgão nega favorecimento político e afirma que cidadãos excluídos indevidamente podem solicitar novo cadastramento. O BJP também rejeita as acusações e afirma que os opositores estão desacreditando procedimentos eleitorais legítimos.

Durante a manifestação, Gandhi acusou a comissão de comprometer direitos políticos e defendeu a saída de Kumar. A Reuters ouviu uma participante que afirmou que quatro integrantes de sua família foram retirados do cadastro porque teriam sido registrados incorretamente como pessoas que mudaram de endereço.

O protesto ocorre após semanas de manifestações quase diárias. Parte da controvérsia ganhou força depois de reportagens do jornal Indian Express sobre preocupações levantadas internamente por autoridades eleitorais a respeito de procedimentos de registro e sistemas digitais.

A polícia reforçou a segurança nas proximidades do Ramlila Maidan, local da concentração, com agentes equipados para controle de multidões. Apesar da crise política, o governo Modi permanece no poder, e as próximas eleições gerais estão previstas para 2029.

A exclusão em massa de registros e a realização dos protestos estão documentadas. A alegação de que as alterações foram realizadas para favorecer o partido governista permanece contestada e não foi estabelecida como fato.

Fonte: Reuters

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