Juros da dívida pública brasileira atingem quase 9% do PIB, maior nível desde 2016
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira novos dados fiscais que mostram uma deterioração significativa do custo da dívida pública brasileira. Nos 12 meses encerrados em setembro, as despesas com juros alcançaram 8,99% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior percentual registrado desde janeiro de 2016, quando o país atravessava uma profunda recessão econômica.
| Indicador | Percentual |
|---|---|
| Juros da dívida / PIB | 8,99% |
| Déficit nominal / PIB | 9,51% |
| Dívida bruta / PIB | 82,9% |
| Selic | 13,75% |
Fonte: Banco Central do Brasil, conforme dados reportados pela Reuters em 29 de outubro de 2026.
O déficit primário do setor público, que considera receitas e despesas antes dos juros, ficou em 0,52% do PIB. Ao adicionar os encargos financeiros, o déficit nominal chegou a 9,51%. Os números mostram que os juros representam a maior parcela do desequilíbrio fiscal medido nesse período.
Somente em setembro, o setor público registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões, contrariando a expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam superávit de aproximadamente R$ 500 milhões. No mesmo mês, os gastos com juros atingiram R$ 107,5 bilhões, quase vinte vezes o déficit primário mensal.
A dívida bruta permaneceu em 82,9% do PIB em setembro, estável em relação a agosto. Entretanto, desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, a relação entre dívida e PIB aumentou 11,3 pontos percentuais.
O custo elevado da dívida está relacionado à taxa Selic de 13,75% ao ano, à parcela crescente de títulos públicos vinculados aos juros básicos e aos prêmios de risco exigidos pelos investidores. Isso significa que o endividamento pode continuar aumentando mesmo quando o governo consegue reduzir o déficit primário.
Os dados foram divulgados poucos dias depois da reeleição de Lula, em um momento de pressão para que o presidente anuncie sua equipe econômica e esclareça como pretende financiar as promessas de campanha. O próximo governo terá de conciliar a expansão de políticas públicas com a necessidade de estabilizar a trajetória da dívida.
Fonte: Reuters
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