Por que não sou Tomista

Enquanto Tomás de Aquino aponta para a Terra, Agostinho aponta para o céu.
Por que não sou Tomista

O Tomismo utiliza-se de uma estrutura metafísica pagã, uma vez que Tomás de Aquino adaptou a Metafísica do filósofo pagão Aristóteles para fundamentar o Cristianismo Medieval — base da estruturação teológica do Catolicismo Romano como religião organizada.
​Como aponta a tradição historiográfica e filosófica, a dependência de Aquino em relação ao Estagirita é explícita:

​“Com efeito, Tomás de Aquino assume de Aristóteles a própria definição de Metafísica como a ciência do ‘ente enquanto ente’ (ens inquantum ens), buscando cristianizar o motor imóvel aristotélico ao identificá-lo com o Deus da revelação bíblica, operando uma síntese onde a estrutura conceitual pagã serve de arcabouço para a teologia sagrada.“

Aquino, T., In Duodecim Libros Metaphysicorum Aristotelis Expositio, Prooemium (apud Gilson, É., A Filosofia na Idade Média).

​Eu rejeito o Tomismo com base nos seguintes problemas de causalidade, epistemologia e soberania divina:

O Problema da Causalidade e do Empirismo:

A noção de causalidade aristotélico-tomista torna-se insustentável sob o crivo do empirismo estrito que o próprio sistema adota. O Tomismo não responde satisfatoriamente como uma causa qualitativamente diferente (transcendente/Deus) pode concorrer e interagir com uma causa imanente (criatura), uma vez que não há univocidade de ser entre o Criador e a criação.

A Incoerência na Extensão do Conceito de Metafísica:

Ao definirem erroneamente a metafísica de forma puramente etimológica como “aquilo que vai além da física” ou “além da natureza”, alguns tomistas chegam ao absurdo de incluir o Diabo como uma causa metafísica. Ora, o Diabo pertence à ordem criada. Uma causa criada e qualitativamente limitada jamais poderia concorrer na mesma categoria causal de uma causa estritamente metafísica e unívoca em poder.

O Problema da Correlação Espaço-Temporal:

Os defensores do sistema aristotélico-tomista falham em explicar o problema da causalidade no que tange à orquestração divina: eles não justificam como Deus causa e sustenta a correlação exata de tempo e espaço entre uma causa aparente (segunda) e seu respectivo efeito na realidade material.

O Problema Epistemológico e a Geração de Proposições:

O sistema não explica o que determina uma mente a conceber um pensamento específico X ou Y, mesmo pressupondo uma mente totalmente depravada (já que, para Aquino, a Queda afetou a natureza humana, mas preservou a autonomia da razão). Uma mera natureza biológica ou mecânica não gera proposições; proposições são frutos estritos de uma mente. Essa lacuna ocorre porque a epistemologia tomista é empírica e herdada diretamente do paganismo aristotélico: ambos defendem que o conhecimento humano deriva estritamente dos sentidos (nihil est in intellectu quod non sit prius in sensu)

A Ofensa à Onisciência e ao Conhecimento Intuitivo Divino:

O Tomismo ignora que Deus possui conhecimento intuitivo e, por necessidade lógica, um conhecimento estritamente a priori. Deus não pode conhecer o pensamento da criatura por meio de uma “absorção externa” ou passiva de dados. Deus é o Detentor soberano de todo o conhecimento; Ele não aprende com a criação. Portanto, é logicamente impossível que Deus apenas “potencialize” ou “mova” a criatura a pensar para só então tomar conhecimento do ato. A noção de que Deus apenas move o homem a pensar X ou Y e reage a isso compromete a Onisciência Divina, fazendo do Criador um ser dependente das contingências criadas.

A Subversão do Decreto e da Providência na Queda:

Ao afirmarem que Deus impulsiona todo o movimento humano apenas como causa primeira (ativando as causas segundas), e que Ele meramente remove ou restringe os atos que não deseja, os tomistas criam um dilema insolúvel sobre a Queda. Se Deus apenas impulsionou o livre-arbítrio de Adão antes da Queda como uma força motriz neutra, conclui-se, logicamente, que Deus impulsionou o mecanismo que gerou o pensamento e o ato do pecado. Isso nega os conceitos bíblicos de Decreto Divino e Providência Soberana, transformando o Deus que decreta todas as coisas de forma santa em um mero motor de impulsos mecânicos.

Conclusão

Nós, Pressuposicionalistas, afirmamos que a Metafísica Aristotélica é pagã, justamente porque não é deduzida logicamente das Escrituras.


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