Jornalismo, mas pouco

Jornalismo, mas pouco

Vivemos numa era, onde praticamente não existem jornalistas, agora são quase todos especialistas, influencers e entertainers, tudo em simultâneo. São tudo, menos ser jornalista, já não existe uma isenção mínima, querem dar a sua opinião, querem explorar as emoções.

Nos incêndios foi vergonhoso, a explorar e transmitir ao o país inteiro, o desespero das pessoas, onde está o direito à privacidade. Enfiando quase o microfone na boca das pessoas, forçando-as a falar. Com perguntas absurdas e muito tendenciosas. Era absurdo, ver o jornalista a fazer a pergunta “Você não acha, que isto é falta de meios?”, com o objetivo de forçar as pessoas a dizerem “Sim”. No fundo a pergunta, é campanha eleitoral, além de ser absurda, nunca na vida Portugal terá meios suficientes para combater incêndios daquelas dimensões, foram demasiados incêndios em simultâneo.

Além de terem explorado as emoções das pessoas durante 1 mês, depois as tvs ainda se glorificam que tiveram as melhores audiências de sempre. Já existia muita gente a lucrar com os incendiários, com a desgraças dos outros, parece que as tv também querem entrar neste lote. Se isto não parar, qualquer dia sãos as próprias tv a pagar a alguém para provocar os incêndios, só para ganhar mais audiências.

Onde está o rigor e isenção?

Agora, qualquer problema que surja, os jornalistas e/ou comentadores de tv pedem logo a demissão dos ministros, é um absurdo. Se demitirmos um ministro sempre que há um problema grave no país, todos as semanas existiriam divisões, ainda temos sorte que somos um país pequeno. Imaginem num país continental como o Brasil, com aquela dimensão existem problemas graves a toda a hora, os ministros não permaneciam 1 dia no poder.

Agora é o caso do acidente do Elevador da Glória, passava pouco mais de uma hora, os jornalistas já exigiam a diminuição do Carlos Moedas. Ainda não se sabe o motivo que provocou o acidente, mas eles já encontraram um culpado, julgaram-no e o condenaram-no. Primeiro temos que descobrir a causa que provocou o acidente, depois sim, encontrar os responsáveis, caso existam, devem ser responsabilizados.

Tudo indica que é falta de manutenção, se comprovar-se, isso pode não significar que o Moedas é responsável, poderá ser, como poderá não ser. O erro poderá ser das pessoas da manutenção ou de quem faz as inspecções ou o responsável da segurança da Carris ou o Presidente da Carris. As hierarquias existem mesmo para isso, para delegar o trabalho e a responsabilidade, porque um indivíduo não consegue controlar tudo.

Quem ouve os jornalistas, parece que o Moedas tem a obrigação de ir todos os dias, vestir um colete amarelo, colocar um capacete e verificar se o cabo está bom ou não. Se o Moedas tem que fazer tudo, assim a câmara não necessita ter milhares de funcionários, bastava ter 1…

Se comprovar-se que o Moedas tem responsabilidade, aí sim, faz sentido a sua demissão.

A pressa dos jornalistas para encontrar um culpado, não é por motivos jornalísticos, mas sim políticos. Os jornalistas já não conseguem esconder o seu viés político, querem que Moeda não ganhe nas eleições no mês que vem.

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