Swift e Sustentabilidade da mineração

Swift e Sustentabilidade da mineração

Swift

O Sistema SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é uma rede global segura que permite que bancos e instituições financeiras troquem mensagens e instruções sobre transações financeiras internacionais, como transferências de dinheiro, de forma padronizada e eficiente, usando códigos únicos (BIC/SWIFT) para identificar cada instituição, embora não mova o dinheiro diretamente, apenas as informações. Ele padroniza a comunicação, agiliza as operações e aumenta a segurança, sendo crucial para o sistema financeiro global. Sem o sistema SWIFT não seria possível fazer transações financeiras internacionais entre bancos.

«Criado em 1973 e baseado na Bélgica, o Swift conecta 11 mil bancos e instituições em mais de 200 países. Ele envia mais de 40 milhões de mensagens por dia, e trilhões de dólares passam de mão em mão entre empresas e governos. Acredita-se que mais de 1% dessas mensagens envolvam pagamentos russos.»

Guerra da Ucrânia

No dia 26 de Fevereiro de 2022, a União Europeia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos anunciaram a exclusão da Rússia do sistema SWIFT, como uma sanção de resposta à invasão da Ucrânia.

«“A medida vai garantir que esses bancos sejam desconectados do sistema financeiro internacional e prejudicar sua capacidade de operar em nível global”, diz o texto do comunicado conjunto, que afirmava ainda que a implementação ocorreria “nos próximos dias”.»

Em resposta, a Rússia desenvolveu uma alternativa ao SWIFT, o SPFS, utilizado por 177 instituições de 24 países.

Desde então, tem sido promovido como uma alternativa ao SWIFT, para facilitar transações financeiras internacionais, especialmente entre países considerados “amigos” da Rússia.

Membros: Rússia, China, Índia, Irão, Turquia, Brasil, África do Sul, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia, Quirguistão, Tajiquistão, Venezuela, Cuba, Egito, Sérvia, Uzbequistão, Mongólia, Nicarágua, Síria, Coreia do Norte, Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Malásia.

Sancionados

A Rússia não foi o primeiro país a ser excluído do sistema SWIFT.

«O Irão foi banido da rede em 2012, como parte das sanções em torno de seu programa nuclear. O país perdeu quase metade de seu faturamento vindo das exportações de petróleo e 30% de seu comércio com o exterior.» A exclusão foi revertida parcialmente após o Acordo Nuclear de 2015, mas reinstaurada em 2018 após a saída dos EUA do acordo.

Teoria dos jogos

As transações financeiras internacionais são essenciais na economia de um país, a sua exclusão do SWIFT, levou a Rússia a criar uma alternativa. A exclusão só foi possível porque o sistema é controlado centralmente por uma cooperativa composta por 11 países.

Imaginemos um cenário onde o SWIFT é um sistema anárquico, onde há a possibilidade de existirem mais que uma cooperativa a usufruir do sistema. Num cenário onde só existe uma cooperativa, os seus líderes decidem excluir um país, mas apenas conseguem expulsar daquela cooperativa.

Como o país excluído quer permanecer no sistema e como o sistema é anárquico, tem todos os incentivos para criar uma segunda cooperativa, como uma solução alternativa, exatamente como fez a Rússia ao criar o SPFS.

Como é um sistema anárquico, não existe a possibilidade de impedir a criação de uma segunda cooperativa, ficam ambas as cooperativas a funcionar ao mesmo tempo e a trocar transações entre si. Sem qualquer possibilidade de restrições ou censura.

Assim, sempre que um país for excluído de uma cooperativa, este tem toda a liberdade de criar uma nova cooperativa, deixando de estar dependente de terceiros. Criar e manter uma cooperativa tem um custo elevado, mas o impacto na economia, por ficar de fora do sistema, é muito superior, é devastador.

Em suma, este cenário imaginário já existe, o sistema anárquico é o Bitcoin e as cooperativas são as pools+mineradores.

Sustentabilidade da mineração

Um recorrente problema apontado ao Bitcoin, é a possibilidade da não sustentabilidade do Proof-of-Work, vulgo mineração. As dúvidas surgem porque apenas fazem estimativas baseado no modelo atual do negócio, só que futuramente o modelo pode mudar.

Hoje, os mineradores são diretamente e exclusivamente financiados pelo Bitcoin, através de taxas e da recompensa. No futuro, haverá uma guerra pela mineração, os países vão lutar para garantir espaço no bloco, não vão querer ficar fora do sistema. É a teoria “Softwar“ de Jason P. Lowery, onde o Bitcoin pode ser usado como ferramenta de defesa nacional e projeção de poder no ciberespaço. É similar ao efeito de dissuasão das bombas nucleares. Mais do que para atacar, a bombas nucleares são uma defesa. É a teoria dos jogos.

Os países vão querer garantir que as suas instituições financeiras e empresas consigam efetuar as transações, se não o fizerem, estas serão censuradas ou poderão demorar muito tempo até serem validadas e isso pode resultar num custo muito mais elevado para sua economia.

As pools serão geridas por países e os mineradores serão subsidiados monetariamente e/ou através do acesso a energia gratuita. Voltando ao caso da Rússia, se a única condição para garantir a permanência no SWIFT, fosse dar energia, eles não hesitariam, dariam toda a energia necessária. Os custos de ficar de fora do sistema, é muito superior à energia disponibilizada. Nesse futuro, os países terão pool e também terão Mempool próprias, essas serão restritas apenas para as suas empresas e para os seus cidadãos.

A mineração Bitcoin será uma questão de segurança nacional e independência geopolítica. Será algo similar ao que acontece hoje, com o ouro, Portugal gastou muitos milhões para construir as instalações no Carregado e anualmente continua a gastar milhões para manter as suas reservas de ouro em segurança. Todos os países fazem o mesmo, e a mineração de Bitcoin será similar.

Também poderão surgir empresas estatais que vendem espaço para terceiros, o exemplo mais paradigmático é o Butão, que tem um fonte gigante de energia. O Butão necessitará apenas um pequeno espaço no bloco, o restante poderá vender a países terceiros. Ou então venderá hashrate para outras pools.

Independência

Neste cenário, com países ou então blocos geopolíticos a dominar a mineração, será fundamental a existência de, pelo menos, uma pool e uma mempool independentemente, descentralizada, que não filtre e que não censure as transações, que seja totalmente neutral. Como a mineração não será rentável economicamente, será sustentado por pequenos mineradores altruístas como fosse uma doação. Aqui também poderiam existir mineradores profissionais que sobreviviriam, através de doações de empresas ou de indivíduos.

Estes mineradores altruístas, além de receberem um percentual da recompensa da mineração, como existe hoje em dia, pode ser criado um sistema de créditos de espaço no bloco. Recebem “bits”, que depois podem ser “gastos” para efectuar as suas transações ou então estes créditos de espaço podem ser vendidos a terceiros, um mercado secundário de créditos de espaço.

Acredito que poderá existir, pelo menos, 5 grandes pools, a dos EUA, Europa, Rússia, China e a independente.

A mineração a solo também será fundamental para manter o Bitcoin descentralizado e incensurável. Certamente, haverá transações censuradas pelos países, estas vão ter que aguardar algum tempo, até que a pool independente ou os mineradores a solo a adicionar ao bloco.

Esta é a minha visão do futuro da mineração e como esta será sustentável, mesmo após o fim da recompensa.


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