Relatório final da investigação do Congresso dos EUA sobre a pandemia de coronavírus
- A origem do SARS-CoV-2
- Fraudes, restrições e direitos fundamentais
- Vacinação e comunicação pública
- Possíveis infrações legais e responsabilização
- A mudança de posição do governo dos Estados Unidos em 2025
- A crítica institucional do autor
- Conclusão
As conclusões de um relatório de 520 páginas publicado em 4 de dezembro de 2024 por uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos dedicada à investigação da pandemia de COVID-19 intitulado After Action Review of the COVID-19 Pandemic: The Lessons Learned and a Path Forward, o documento analisou mais de um milhão de páginas de documentos, além de depoimentos, audiências e correspondências reunidos entre fevereiro de 2023 e dezembro de 2024.
O relatório representa uma mudança importante na posição norte-americana sobre a pandemia e critica a forma como governos e instituições teriam lidado com a investigação de suas origens.
A origem do SARS-CoV-2
Uma das principais conclusões atribuídas à comissão é que as evidências favoreceriam a hipótese de que o SARS-CoV-2 surgiu de um acidente laboratorial ou relacionado a atividades de pesquisa. Para sustentar essa interpretação, o relatório teria considerado avaliações de diferentes órgãos norte-americanos, incluindo o FBI, o Departamento de Energia e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, embora essas avaliações apresentassem diferentes graus de confiança.
O documento também aborda o financiamento de pesquisas de ganho de função (Gain-of-Function) no Instituto de Virologia de Wuhan pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). A organização EcoHealth Alliance, que participou de pesquisas relacionadas ao instituto chinês, é acusada no relatório de atrasar comunicações obrigatórias, deixar de informar sobre um experimento considerado perigoso e fornecer informações falsas aos NIH.
O texto sustenta ainda que autoridades chinesas, setores do governo norte-americano e integrantes da comunidade científica internacional teriam tentado ocultar informações sobre a origem da pandemia. O autor amplia essa crítica para a Alemanha, afirmando que o assunto continuaria sendo censurado ou silenciado pelos meios de comunicação públicos alemães.
Fraudes, restrições e direitos fundamentais
O relatório também examina o uso dos recursos públicos destinados a enfrentar a pandemia. Segundo os números apresentados no texto, as fraudes no Programa de Proteção de Pagamentos (Paycheck Protection Program) teriam provocado prejuízos de pelo menos US$ 64 bilhões, enquanto as fraudes relacionadas aos benefícios de desemprego durante a pandemia teriam ultrapassado US$ 191 bilhões.
Outro eixo importante é a limitação das liberdades individuais durante a crise sanitária. A comissão defende, segundo o texto, que a Constituição não deixa de valer em situações de emergência e que restrições às liberdades podem prejudicar a confiança da população nas instituições de saúde. O relatório questiona a fundamentação científica quantitativa da regra de distanciamento de seis pés, aproximadamente 1,83 metro, classifica a eficácia das obrigatoriedades de uso de máscaras como limitada ou inexistente e avalia negativamente os efeitos gerais dos confinamentos prolongados.
Vacinação e comunicação pública
Em relação às vacinas, o relatório reconhece a Operação Warp Speed, programa norte-americano de aceleração do desenvolvimento de vacinas, como um sucesso que teria salvado milhões de vidas. Entretanto, o autor da questiona se essa conclusão ainda seria sustentável diante do conhecimento científico atual, sem apresentar, nessa passagem, as evidências específicas que justificariam sua dúvida.
A comissão também critica a obrigatoriedade da vacinação, o tratamento dado à imunidade adquirida naturalmente e a transparência dos sistemas de monitoramento da segurança das vacinas.
O documento atribui declarações potencialmente enganosas a diferentes autoridades. Anthony Fauci, ex-diretor do NIAID, é criticado por sua definição de pesquisa de ganho de função, por ter classificado a hipótese de vazamento laboratorial como uma teoria da conspiração e por declarações sobre a transmissão do vírus por pessoas vacinadas. O relatório também questiona a elaboração do artigo científico Proximal Origin, que teria buscado refutar a hipótese de origem laboratorial.
Joe Biden é citado por ter afirmado, em julho de 2021, que pessoas vacinadas não seriam hospitalizadas, não precisariam de tratamento intensivo nem morreriam. O relatório contrapõe essa declaração a dados que, segundo o texto, já registravam aproximadamente 5.500 pessoas vacinadas hospitalizadas ou mortas naquele momento. Biden também é criticado por declarações associadas ao anúncio da vacinação obrigatória para determinadas categorias de trabalhadores.
Rochelle Walensky, ex-diretora do CDC, é mencionada por afirmações de março de 2021 segundo as quais pessoas vacinadas não carregariam o vírus nem adoeceriam. O texto afirma que a própria assessoria de imprensa do CDC contestou essa interpretação dias depois. Já Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, é criticado por informações sobre como a OMS tomou conhecimento do surto inicial em Wuhan. De acordo com o relatório descrito, uma versão posteriormente corrigida teria atribuído a informação a uma comunicação direta das autoridades municipais chinesas, quando o escritório da OMS teria, na realidade, reproduzido uma notícia da imprensa.
O governo chinês e o Partido Comunista Chinês também são acusados de subnotificar infecções e mortes, não comunicar adequadamente o surto à OMS e pressionar médicos a assinarem declarações retratando manifestações anteriores como falsas e prejudiciais à ordem pública.
Possíveis infrações legais e responsabilização
Uma parte do relatório trata de possíveis infrações relacionadas a declarações falsas ao Congresso, perjúrio e destruição de documentos federais. O texto cita os dispositivos legais norte-americanos 18 U.S.C. §§ 1001, 1621 e 2071.
Andrew M. Cuomo é mencionado por declarações relativas ao chamado July 6 Report. Segundo o texto, seu caso foi formalmente encaminhado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 30 de outubro de 2024.
Peter Daszak, da EcoHealth Alliance, é criticado por contradições entre depoimentos e documentos, possíveis informações falsas e produção incompleta de registros. David Morens, do NIAID, é associado a questões envolvendo solicitações de acesso à informação, exclusão de registros oficiais e uso de contas privadas de e-mail.
O documento também aponta declarações que considera falsas ou enganosas, mas é importante distinguir as categorias mencionadas: o próprio texto informa que algumas constatações não constituem acusações de crimes, e que não houve encaminhamento ao Departamento de Justiça registrado para todos os indivíduos citados.
A mudança de posição do governo dos Estados Unidos em 2025
O texto argumenta que as conclusões da comissão ganharam relevância política porque foram acompanhadas por medidas do Poder Executivo norte-americano em 2025.
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Abril de 2025: o domínio covid.gov passou a redirecionar para uma página da Casa Branca que apresenta um incidente relacionado a laboratório e à pesquisa de ganho de função como a origem mais provável da COVID-19.
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5 de maio de 2025: uma ordem executiva intitulada Improving the Safety and Security of Biological Research encerrou, segundo o texto, o financiamento federal de pesquisas perigosas de ganho de função em países sem supervisão adequada.
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18 de julho de 2025: o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e o Departamento de Estado anunciaram a rejeição das alterações ao Regulamento Sanitário Internacional da OMS aprovadas em 2024. O texto também menciona o processo de retirada dos Estados Unidos da organização.
A crítica institucional do autor
Além de apresentar as conclusões da comissão, o autor faz uma crítica mais ampla ao funcionamento das instituições políticas e científicas. Ele argumenta que investigações parlamentares podem perder sua finalidade quando servem para proteger autoridades ou ocultar erros, em vez de esclarecer os acontecimentos. A Alemanha é apresentada como exemplo dessa deterioração institucional, enquanto os Estados Unidos são descritos como um país cuja posição oficial teria mudado em direção à hipótese de origem laboratorial.
O autor encerra o texto observando que, até aquele momento, não teria sido realizada uma comissão de investigação dedicada especificamente às vacinas, ao seu desenvolvimento e à sua aprovação.
Conclusão
O texto defende que o relatório de dezembro de 2024 constitui um marco na revisão da resposta institucional à pandemia de COVID-19. Suas principais linhas de argumentação são a preferência pela hipótese de origem laboratorial, o questionamento do financiamento e da supervisão de determinadas pesquisas, a denúncia de possíveis encobrimentos e fraudes, a crítica às restrições de direitos fundamentais e a responsabilização de autoridades por declarações consideradas falsas ou enganosas.
A publicação também procura demonstrar que essas conclusões teriam influenciado decisões do governo dos Estados Unidos em 2025, especialmente em relação à pesquisa biológica e à Organização Mundial da Saúde.
Em síntese, a tese central do autor é que a pandemia precisa ser examinada não apenas como uma crise sanitária, mas também como um episódio que levantou questões sobre transparência científica, uso de recursos públicos, liberdade individual, responsabilidade política e confiança nas instituições.
Leia na íntegra.
von Rechtsanwalt Tobias Ulbrich auf X.
Laborunfall als Ursprung von COVID-19 bestätigt
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