Polícia de SP investiga contrato da prefeitura com produtora de filme sobre Bolsonaro

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para investigar um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), cuja presidente também é sócia da produtora do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de fraude, desvio de recursos públicos para financiar o longa e outras irregularidades. O senador Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes negaram as acusações, com ambos sugerindo que a ação tem motivação política.
Polícia de SP investiga contrato da prefeitura com produtora de filme sobre Bolsonaro

Polícia de SP investiga contrato da prefeitura com produtora de filme sobre Bolsonaro O contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo com uma ONG ligada ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, virou um raro tiro amigo: bolsonaristas, aliados de Nunes e governo Lula disputam a narrativa enquanto a Polícia Civil vasculha notas, HDs e celulares.

De um lado, o campo bolsonarista tenta enquadrar tudo como armação eleitoral. Flávio Bolsonaro fala em “pescaria probatória” e possível “perseguição estatal” para influenciar as eleições, insistindo que o inquérito busca, “por uma via transversa”, algo contra o filme do pai. Em sintonia, Nunes reclama que, se a motivação for o longa, trata-se de “perseguição política” e até “desrespeito à democracia”, garantindo que o contrato de Wi‑Fi é anterior ao projeto do filme e que “não existe absolutamente nada de errado na contratação”.

Do outro lado, a oposição fareja um novo flanco de desgaste do bolsonarismo. Aliados de Lula dizem ver o “cerco contra o clã Bolsonaro se fechando” com a operação que atinge a ONG de Karina Gama, produtora de “Dark Horse”, e o contrato de R$ 108 milhões para instalar Wi‑Fi na periferia. O senador Humberto Costa fala em pressão crescente sobre a família e lembra suspeitas de que o valor saltou para R$ 157,1 milhões com aditivos e ao menos R$ 26 milhões sem serviço prestado.

No centro da disputa, a Polícia Civil descreve “indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial” entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora, apurando notas frias, faturas sequenciais sem nota fiscal e pagamentos com documentos cancelados. A operação já apreendeu celulares, notebooks e um HD com contratos da Secretaria de Inovação e Tecnologia, e mira empresas que teriam ajudado a justificar saídas suspeitas de recursos públicos.

Enquanto Nunes e Flávio tentam colar o rótulo de “perseguição” numa polícia subordinada ao aliado Tarcísio de Freitas, colunistas lembram o óbvio incômodo: se há complô, ele seria um caso de autoconspiração dentro do próprio bolsonarismo. Até que o inquérito fale mais alto, o roteiro de “Dark Horse” já ganhou um spin‑off político — com orçamento, por enquanto, bem pouco transparente.

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