Datafolha: Maioria das mulheres desconfia da polícia e da Justiça em casos de violência

Uma pesquisa do instituto Datafolha revelou que a maioria das mulheres brasileiras tem pouca ou nenhuma confiança na Justiça e na polícia para lidar com casos de violência de gênero. O levantamento também aponta que quase 90% dos entrevistados percebem um aumento da violência contra a mulher no país.
Datafolha: Maioria das mulheres desconfia da polícia e da Justiça em casos de violência

Datafolha: Maioria das mulheres desconfia da polícia e da Justiça em casos de violência A conta não fecha: enquanto a violência contra a mulher é percebida como crescente em todo o país, a confiança nas instituições que deveriam proteger as vítimas segue em queda livre. O resultado é um vácuo de proteção em que o Estado aparece, para muitas mulheres, mais como promessa do que como porto seguro.

De um lado, o dado bruto é incontornável: a pesquisa Datafolha mostra que a maioria das mulheres confia pouco na Justiça e na polícia em casos de violência de gênero. Apenas 17% dizem confiar muito na Justiça e 19% na polícia para esse tipo de ocorrência, segundo o levantamento encomendado pelo Movimento Mulher 360. Na prática, isso significa que mais de 8 em cada 10 mulheres não se sentem realmente amparadas pelo sistema.

De outro, cresce a percepção de que o problema está explodindo sem resposta adequada. Quase 90% dos entrevistados acreditam que os casos de violência contra a mulher aumentaram no último ano, e 71% enxergam maior risco dentro de casa do que fora dela. A violência doméstica, antes tratada como assunto privado, já é lida como “questão central de segurança pública e social”, nas palavras da diretora do Movimento Mulher 360.

Quando se compara a visão de mulheres e homens, o abismo aparece: entre elas, só 19% confiam muito na polícia; entre eles, o percentual sobe para 31%. Na avaliação da Justiça, a distância se repete: 17% de confiança alta entre mulheres, contra 23% entre homens.

A imprensa tradicional destaca a mesma ferida. A Folha de S.Paulo resume o diagnóstico: “Maioria não confia ou confia pouco na polícia e na Justiça em casos de violência contra a mulher”. Já veículos alinhados ao governo ecoam que “mulheres desconfiam da polícia e da Justiça” — mas o desafio político vai além do diagnóstico: sem reconstruir a confiança na porta de entrada (delegacias, Judiciário), qualquer discurso oficial de enfrentamento vira estatística vazia.

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