Corpo encontrado em Ilhabela é de homem que desapareceu após pane em moto aquática
Corpo encontrado em Ilhabela é de homem que desapareceu após pane em moto aquática Um passeio de lazer virou tragédia em Ilhabela e abriu uma disputa silenciosa de narrativas entre autoridades, família e a única sobrevivente. No centro, a mesma pergunta: foi “apenas” um acidente em alto-mar ou há mais a ser esclarecido?
A versão oficial, por ora, aposta no roteiro clássico de pane e fatalidade. A Secretaria da Segurança Pública registrou o caso como morte suspeita, mas destaca que a moto aquática “apresentou problema e afundou”, deixando Dheorge Pereira Bernardino, 28, e Bruna Damaris Sant’Anna à deriva em alto-mar. A Marinha confirmou a identificação do corpo e abriu um inquérito para apurar causas, habilitação do condutor e documentação da moto aquática, num enquadramento técnico-administrativo típico de acidentes náuticos.
A família, porém, vive outra realidade: a da perda irreparável e da busca por sentido. Lorrane Pereira, irmã de Dheorge, narra o drama em tom de despedida e cobrança moral, dizendo ter feito de tudo para que o corpo fosse encontrado, para enfim deixá-lo “descansar”. Em vídeo, ela agradece imprensa e população, mas deixa claro o descompasso entre o desejo de reencontro com o irmão vivo e o desfecho duro: “não terminou da maneira que a gente queria, que era ele bem e vivo, mas agora poderemos nos despedir”.
Já Bruna, que sobreviveu após mais de 40 horas em alto-mar, tenta se afastar de boatos e insinuações. Ela afirma que “a correnteza estava forte e levando a gente para o mar aberto” e que os dois deixaram a moto porque ficar no veículo se tornou “impossível”. Faz questão de frisar que Dheorge era “um colega que conheceu na lancha” e que não o viu tirar o colete salva-vidas, nem o momento em que ele teria afundado.
Em comum, todos os lados concordam numa coisa: o litoral paulista ainda sabe pouco sobre o que, de fato, aconteceu naquele trecho de mar. A diferença está em quem enxerga aí apenas um acidente – e quem cobra que essa história não termine encalhada no rótulo de “fatalidade”.
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