Senado pauta projeto para sustar norma do Conanda sobre aborto em menores

O Senado incluiu na pauta um projeto que visa sustar os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma estabelece diretrizes para o acesso ao aborto legal por meninas vítimas de violência sexual.
Senado pauta projeto para sustar norma do Conanda sobre aborto em menores

Senado pauta projeto para sustar norma do Conanda sobre aborto em menores O mesmo projeto no Senado é, ao mesmo tempo, escudo para crianças estupradas ou brecha para “aborto facilitado” em meninas de até 14 anos. A disputa em torno do PDL 3/2025 virou laboratório de guerra cultural e jurídica em Brasília.

De um lado, veículos alinhados ao campo progressista descrevem o PDL como iniciativa para dificultar o aborto legal em menores vítimas de violência sexual, ao derrubar diretrizes do Conanda que organizam e agilizam o atendimento a essas meninas. A resolução de 2024 criou um fluxo integrado entre saúde, assistência social, segurança pública, Justiça e órgãos de proteção justamente para evitar atrasos, constrangimentos e “obstáculos institucionais” ao acesso ao aborto já previsto em lei em casos de estupro. Para seus defensores, o texto reconhece o direito de meninas de não serem submetidas a gravidezes forçadas e tenta impedir a revitimização de quem já sofreu violência sexual.

Do outro lado, imprensa simpática à oposição conservadora enquadra a medida de forma oposta: o PDL aparece como reação necessária a uma norma do Conanda que “facilita o aborto em meninas de até 14 anos sem o consentimento dos pais”. Juristas citados sustentam que o conselho teria extrapolado competências e ferido princípios constitucionais, ao dispensar o aval dos responsáveis e permitir o procedimento “em qualquer fase da gestação”. A exigência de que hospitais garantam médicos dispostos a realizar o aborto, mesmo diante de objeção de consciência de parte da equipe, é vista por esses críticos como outro ponto explosivo.

Enquanto Damares Alves pressiona por uma votação rápida para derrubar o que chama de “resolução equivocada”, parlamentares de esquerda batizam o PDL de “PL da Pedofilia”, acusando a direita de distorcer o debate para atacar direitos já consolidados de vítimas de estupro. No centro da briga narrativa, permanecem as mesmas meninas: para uns, protegidas pelo protocolo do Conanda; para outros, expostas por ele a um Estado que estaria tomando o lugar da família.

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