EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, citando Pix e STF
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, citando Pix e STF A tarifa de Trump virou tarifa de campanha no Brasil. A ameaça de sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais virou menos uma discussão sobre comércio e mais um ringue entre Planalto, bolsonarismo e Washington.
De um lado, o governo Lula pinta o relatório do USTR como peça “contaminada” por interesses políticos e eleitorais e “injustificável” do ponto de vista econômico. A Secom e ministros acusam “falsos patriotas” de sabotarem negociações, apontando para a família Bolsonaro e a viagem de Flávio a Washington como estopim da ofensiva americana. Alckmin e a equipe econômica rebatem as críticas: lembram o superávit histórico dos EUA com o Brasil, a queda de mais de 50% no desmatamento e defendem o Pix como “patrimônio nacional” fora de qualquer barganha. Para o governo, o caminho é negociação dura, mas técnica, antes da decisão final de Trump em julho.
Do outro lado, a oposição tenta colar no Planalto o rótulo de “tarifa do Lula”. Flávio Bolsonaro diz que o tarifaço é fruto do “tom agressivo” e do discurso antiamericano do presidente, enquanto aliados o vendem como mediador que teria pedido a Trump, Marco Rubio e JD Vance para “não taxarem as empresas brasileiras”. Influenciadores bolsonaristas vão além e culpam diretamente Lula e o STF, alegando que o relatório americano apenas reagiu a censura digital e insegurança jurídica no país.
No meio do fogo cruzado político, quem olha para a planilha vê risco real. Cálculos do governo e da Farsul falam em impacto potencial sobre algo entre 21% e até 43,7% das exportações brasileiras para os EUA, com máquinas, madeira, produtos elétricos e parte do agro na linha de tiro. A CNI adverte para perda de competitividade em cadeias integradas com a indústria americana e pede “diálogo e análise técnica”.
Já em Washington, Jamieson Greer enquadra o Brasil como apenas um caso entre mais de 70 países acusados de “práticas desleais”, prometendo uma bateria global de relatórios sob a Seção 301 — tudo em nome de “proteger a produção americana”. Lá, é guerra comercial. Aqui, é guerra de narrativa.
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