Alcolumbre afirma que Senado analisará PEC da escala 6x1 'sem pressa'

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, declarou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 será debatida "sem pressa" e não será simplesmente "carimbada" pela Casa. Ele defende um debate aprofundado com a sociedade e que a proposta passe por comissões antes de ir ao plenário.
Alcolumbre afirma que Senado analisará PEC da escala 6x1 'sem pressa'

Alcolumbre afirma que Senado analisará PEC da escala 6x1 ‘sem pressa’ O fim da escala 6x1 virou cabo de guerra em Brasília: para o governo, a PEC é vitrine social e precisa andar rápido; para Davi Alcolumbre, o Senado não é cartório da Câmara e o assunto vai seguir em marcha lenta, ainda que constante.

De um lado, o Planalto e a base governista vendem a PEC com dois dias de folga semanal e redução da jornada de 44 para 40 horas como peça central do pacote trabalhista de Lula para 2026, contando com a “vitória” apertada, mas ruidosa, na Câmara. A pressão é para concluir tudo antes do recesso, com governistas reclamando que, enquanto o texto da Câmara segue aguardando rito, a PEC alternativa de Rogério Marinho — baseada em “jornada por hora trabalhada”, mais flexível para empresas — foi despachada para a CCJ em menos de 24 horas.

Do outro lado, a oposição tenta transformar o freio de Alcolumbre em oportunidade. Fala em “ofensiva” para “frear” o fim da 6x1 e turbina sua própria PEC de jornadas flexíveis como contraponto ao modelo fixo e mais protetivo aprovado pelos deputados. A estratégia é ganhar tempo com audiências públicas, economistas e entidades empresariais para testar o custo da medida e desgastar o discurso governista de que tudo é apenas “pró‑trabalhador”.

No centro do ringue, Alcolumbre posa de árbitro institucional. Reitera que o Senado “não será carimbador” da Câmara, promete tramitação “com calma, sem açodamento e sem pressa” e insiste que a Casa terá “tempo razoável” para “melhorar o texto” ouvindo trabalhadores e quem emprega. Ao mesmo tempo, garante que não vai engavetar a PEC, que passará ao menos pela CCJ e pode ainda cruzar outras comissões antes do plenário.

Resultado: governo fala em atraso e risco de esvaziamento político, oposição celebra oxigênio para sua alternativa, e Alcolumbre tenta vender o impasse como virtude — não é contra, nem a favor, é “a favor do debate”.

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