Negociações comerciais sobre tarifas entre Brasil e EUA são prorrogadas
Negociações comerciais sobre tarifas entre Brasil e EUA são prorrogadas As negociações tarifárias entre Brasil e EUA foram esticadas até julho, mas o cronômetro político corre mais rápido que o comercial: para uns, é prova de diplomacia responsável; para outros, sinal de fraqueza diante de um novo “tarifaço” americano.
Governo: segurar o tarifaço, manter a mesa posta
Na versão governista, a prorrogação do Grupo de Trabalho (GT) é um ato de prudência estratégica: melhor falar mais do que romper agora. O GT, criado após a ida de Lula à Casa Branca, deveria durar 30 dias, mas foi estendido diante da ameaça de um novo pacote tarifário sobre exportações brasileiras. O Brasil já enfrenta uma tarifa global de 10% e tenta reverter também a recomendação de uma sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da lei comercial dos EUA, que acusa o país de práticas anticoncorrenciais.
Brasília ainda monitora uma terceira frente mais explosiva: uma possível sobretaxa adicional de 12,5% sob a alegação de trabalho forçado, pressão que “ainda não foi incorporada formalmente ao cronograma das negociações, mas já é acompanhada” pelo governo. A linha oficial insiste que há disposição americana para manter o diálogo e que o Brasil está aberto a discutir até temas sensíveis, como terras raras e etanol, desde que isso entre na pauta de Washington.
Oposição: impasse é fragilidade, não estratégia
Já a leitura crítica é menos diplomática e mais acusatória. Para esse campo, o “novo capítulo” das tratativas revela que o Brasil negocia sob a sombra de uma tarifa extra de 25% disparada por investigação da Seção 301, que mira supostas práticas prejudiciais aos EUA. O grupo bilateral segue aberto “sem avanços concretos até agora”, e a prioridade de Lula virou simplesmente impedir que as novas restrições entrem em vigor, num cenário em que exportadores já carregam a tarifa geral de 10%.
Onde o governo vê tempo para costurar acordo, a oposição enxerga risco de empurrar o problema com a barriga. Encerrar as tratativas agora “reduziria as chances de um acordo antes da eventual adoção das novas tarifas”, admitem até integrantes do próprio governo — por isso as reuniões tendem a se arrastar por junho e julho.
No fim, ambos os lados concordam em algo incômodo: o Brasil negocia na defensiva, correndo contra um tarifaço que já começou antes mesmo de terminar a conversa.
https://resumosbrasil.com/stories/019ea034-3cad-32ae-700b-127f5759df1e
Write a comment