Papa Leão XIV celebra missa para mais de 1,2 milhão de fiéis em Madri

O Papa Leão XIV celebrou a missa de Corpus Christi na Praça de Cibeles, em Madri, reunindo cerca de 1,2 milhão de fiéis. Durante a homilia, o pontífice pediu aos presentes que renovassem a fé católica e abandonassem o egoísmo em um país onde a prática religiosa tem diminuído.
Papa Leão XIV celebra missa para mais de 1,2 milhão de fiéis em Madri

Papa Leão XIV celebra missa para mais de 1,2 milhão de fiéis em Madri Um milhão e duzentas mil pessoas na rua, um país cada vez menos praticante e um governo em rota de colisão com parte da Igreja: a missa de Corpus Christi de Leão XIV em Madri virou tanto ato de fé quanto termômetro político.

Governo: palco de unidade nacional

Na leitura alinhada ao governo, o evento é vitrine de uma Espanha ainda “reduto tradicional do catolicismo”, mesmo com a queda da prática religiosa. A ênfase está na massa — “mais de 1,2 milhão de pessoas lotaram as ruas do centro de Madri” — e na mensagem social do Papa, que afirmou que Deus “está ao lado dos pobres, dos oprimidos, dos que estão sozinhos e abandonados”.

Os textos próximos ao governo destacam Leão XIV como força de coesão, reproduzindo peregrinos que o veem como “uma força muito unificadora em um momento em que temos divisão em tantas frentes diferentes” e pedindo que “temos que ser todos irmãos, todos unidos”. A visita de sete dias, primeira de um papa desde 2011, é apresentada como tentativa de reverter a curva da fé num país em que os católicos caíram de 90% para 56,1% desde os anos 1970.

Oposição: reconciliação em terreno minado

Já a oposição lê a mesma homilia como recado direto ao sistema político. Ao sublinhar o apelo do Papa para “renovar a fé católica e abandonar o egoísmo”, a cobertura crítica conecta o sermão ao contexto de “tensões entre a hierarquia católica e o governo socialista do primeiro-ministro Pedro Sánchez”.

A frase “ninguém pode se ajoelhar diante de Deus e desprezar o irmão” é interpretada como ataque transversal: contra o individualismo, mas também contra a polarização que marca o embate entre governo, direita nacionalista e Igreja.

Entre museu e futuro

Curiosamente, ambos os lados abraçam a mesma imagem central de Leão XIV: a de que a religiosidade espanhola não pode ser “um museu do passado a ser visitado, mas uma escola de fé da qual também possamos beber hoje”. A disputa não é sobre a frase — é sobre quem a incorpora melhor: o governo que quer mostrar diálogo com a Igreja ou uma oposição que enxerga na praça lotada um sinal de desconforto com o status quo.

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