Dino mantém retirada de vídeos de vereador de Manaus com ofensas

O ministro Flávio Dino, do STF, manteve a decisão da Justiça Eleitoral que determinou a remoção de vídeos publicados pelo vereador de Manaus, Alexandre Salazar (PL). Dino considerou que as publicações continham ofensas pessoais e propaganda eleitoral negativa, mas derrubou a proibição prévia do uso de um bordão, por entender que seria censura.
Dino mantém retirada de vídeos de vereador de Manaus com ofensas

Dino mantém retirada de vídeos de vereador de Manaus com ofensas Flávio Dino virou, ao mesmo tempo, censor de palavrões e defensor de bordões. Ao julgar o caso do vereador de Manaus Alexandre Salazar (PL), o ministro do STF manteve a derrubada de vídeos ofensivos, mas liberou o uso do provocativo “nunca será” em futuras postagens.

O que decidiu Dino

Na prática, Dino confirmou a ordem da Justiça Eleitoral do Amazonas para remover vídeos em que Salazar atacava o pré-candidato ao governo David Almeida (Avante), com “palavras de baixo calão” e propaganda eleitoral negativa antecipada. Em decisões e despachos, o ministro critica a “colonização do discurso político por bizarrices e grosserias” e vincula esse nível de ataque à degradação do regime democrático.

Ao mesmo tempo, ele considerou censura prévia proibir genericamente o bordão “nunca será”, devolvendo ao vereador o direito de usá-lo, “a depender do texto e do contexto”. A linha que Dino traça é: crítica dura, sim; xingamento chulo, não.

Como a base governista enxerga

Na narrativa alinhada ao governo, a ênfase é institucional: Dino “mantém remoção de vídeos de vereador que ofendeu adversário” e resgata os princípios de decoro e moralidade na atuação parlamentar. A decisão aparece como tentativa de civilizar o debate político sem sufocar a liberdade de expressão.

Como a oposição reage

Do outro lado, veículos de oposição falam em intervenção abusiva: Dino teria “mandado tirar do ar vídeo de vereador em Manaus” e “agido contra parlamentar do PL em decisão que mais parece um ‘ataque’”. A crítica central: o STF estaria entrando demais no jogo político, travestindo de defesa da democracia um controle do discurso conservador nas redes.

Paradoxo final: para a base, Dino impõe limites civilizatórios; para a oposição, ele passa dos limites. Só há consenso em uma coisa — a campanha de 2026 começou, e começou nos tribunais.

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