Idris Elba nega ter sido cotado para James Bond e diz que público não aceitaria ator negro
Idris Elba nega ter sido cotado para James Bond e diz que público não aceitaria ator negro Idris Elba virou, de novo, o 007 involuntário de um debate que a franquia parece incapaz de encerrar: o mundo está pronto — ou não — para um James Bond negro?
De um lado, o próprio Elba põe freio na fantasia coletiva. Em entrevista, ele repete que a ideia de vê-lo como o espião mais famoso do cinema nunca passou de um grande boato alimentado por fãs e imprensa: “Isso nunca foi algo concreto. Sempre foi apenas um rumor”. A especulação começou forte ainda em 2008, na esteira de “Quantum of Solace” e da eleição de Barack Obama, quando surgiram apostas em um Bond negro como símbolo de novos tempos.
Do outro lado, está a realidade que o ator joga na cara da indústria: parte do público simplesmente não aceitaria um 007 negro. “Bond é enorme no mundo todo. Parte do público não aceitaria um homem negro, um homem africano, interpretando Bond. Não é isso que agrada na cultura deles. Ponto final”, diz ele, atribuindo a rejeição a preconceitos culturais mais profundos do que o marketing pró-diversidade costuma admitir.
Há ainda um segundo choque de visões: o que fazer com o próprio personagem. Enquanto parte da crítica e da audiência pressiona por um Bond mais “atualizado”, Elba rejeita a ideia de um 007 reformado à força para caber em debates identitários do momento. “Bond é tão irrealista, então um toque de realidade é bom, mas não vamos tentar torná-lo ‘woke’. […] Apenas seja Bond”, resume.
Enquanto o estúdio caça o sucessor de Daniel Craig — com nomes como Callum Turner, Henry Cavill e Aaron Taylor-Johnson circulando nas bolsas de apostas — a fala de Elba expõe a fissura central: Hollywood quer um Bond diverso sem perder bilheteria; parte do público quer o mesmo Bond de sempre; e o próprio Elba, irônico, parece não querer ser nem um, nem outro.
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