Casal confunde símbolo de quadrilha junina com estrela do PT e ataca dançarinos
Casal confunde símbolo de quadrilha junina com estrela do PT e ataca dançarinos Um símbolo de festa virou gatilho de ódio: em Sobral (CE), um casal de idosos interrompeu uma quadrilha junina ao confundir a estrela do grupo com o emblema do PT, transformando São João em trincheira político-ideológica.
O que aconteceu
Segundo relatos, a Quadrilha Junina Estrela do Luar se apresentava em um shopping quando os idosos, de 69 e 66 anos, invadiram o espaço do espetáculo e passaram a atacar dançarinos e artistas. A irritação teria sido provocada pela estrela estampada no colete do animador, símbolo da própria agremiação, tomada por referência ao Partido dos Trabalhadores.
Os ataques não ficaram só no grito: o casal teria tentado arrancar as vestimentas dos brincantes, além de disparar insultos racistas e LGBTfóbicos, conforme o boletim de ocorrência registrado pelo grupo. A Polícia Civil instaurou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por constrangimento ilegal, e os dois foram liberados após a autuação.
Cultura popular x guerra cultural
A Estrela do Luar se define como “um grupo cultural comprometido com a arte, a valorização das tradições juninas, a diversidade e o respeito às diferenças”, missão que considera “incompatível com qualquer forma de intolerância ou violência”. Em nota, a quadrilha afirmou que o episódio foi motivado por “divergências político-ideológicas” e que o ataque “ultrapassa qualquer limite do direito à opinião” ao atingir a cultura popular e a liberdade artística.
O uniforme do grupo, longe de qualquer logomarca partidária, traz “a imagem de um homem com trajes típicos da região em um ambiente rural, além de um sol, uma lua e uma estrela ao fundo”, elementos clássicos do imaginário nordestino.
Reação institucional
O Sobral Shopping afirmou repudiar “toda forma de violência e discriminação” e disse colaborar com as autoridades para apurar o caso, prometendo manter um ambiente “seguro, respeitoso e acolhedor para todos”. Já a polícia tratou o episódio como constrangimento ilegal, sem, por ora, enquadrar os ataques racistas e LGBTfóbicos em tipos penais mais duros.
No fim, a estrela que deveria iluminar o arraial serviu para expor até onde a polarização política consegue sombrear a cultura popular.
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