Apuração da eleição no Peru segue acirrada entre Sánchez e Fujimori
Apuração da eleição no Peru segue acirrada entre Sánchez e Fujimori A eleição peruana virou um teste de stress institucional: enquanto Roberto Sánchez aparece ligeiramente à frente, metade do país já se comporta como se tivesse sido roubada – e a outra, como se a vitória estivesse garantida.
De um lado, veículos alinhados à esquerda tratam Sánchez como favorito cauteloso. Ele virou o jogo e aparece com algo em torno de 50,07% contra 49,93% de Keiko Fujimori, uma diferença de cerca de 26 mil votos com mais de 95% das atas apuradas. Mesmo assim, o tom é de freio de mão puxado: a contagem é descrita como “disputa voto a voto” e “indefinida”, com centenas de milhares de votos contestados e atas em revisão. O órgão eleitoral já admite que o resultado final pode levar de duas semanas até o fim do mês, repetindo o filme de 2021.
A mesma imprensa ressalta que o processo foi considerado regular por missões internacionais e que a logística – votos rurais e do exterior chegando por último – explica parte da demora. Também lembra que, embora Keiko domine o voto no exterior, inclusive no Brasil e em Miami, Sánchez segue na frente no cômputo geral.
Do outro lado, a imprensa e os influenciadores de direita vendem outra narrativa. Para sites alinhados a Keiko, o dado central não é a liderança mínima de Sánchez, mas a “reação” da candidata conservadora, que “começa a buscar a virada” com 95,7% das urnas apuradas. A demora na revisão de mais de 1,5 mil atas com inconsistências é apresentada como potencial ponto de inflexão – ou de suspeita.
Na esfera das redes, o discurso radicaliza: fala-se em “megafraude eleitoral” e em esquerdistas detidos por supostamente invalidar atas onde Keiko vencia em Lima, enquanto brasileiros da extrema direita comemoram que “ao menos no Peru eles conseguem ver quem frauda”. Em contraste, analistas liberais usam o sufoco peruano para outra mensagem: o voto não é irrelevante, “o SEU voto conta sim”, ironizando quem flerta com anular o voto em disputas polarizadas.
No tabuleiro peruano, portanto, há dois consensos: o país está rachado – geográfica e politicamente – e, qualquer que seja o vencedor, assumirá um governo já nascido em meio à contestação.
https://resumosbrasil.com/stories/019eae5d-f3a7-103c-703b-0a3b0da3ea78
Write a comment