TSE adia julgamento sobre suspensão de pesquisa AtlasIntel que citava Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a análise da liminar do ministro Kassio Nunes Marques que barrou a divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel. A suspensão ocorreu após um pedido de vista da ministra Estela Aranha. A pesquisa, que utilizou um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, indicava uma queda em suas intenções de voto.
TSE adia julgamento sobre suspensão de pesquisa AtlasIntel que citava Flávio Bolsonaro

TSE adia julgamento sobre suspensão de pesquisa AtlasIntel que citava Flávio Bolsonaro O julgamento que poderia destravar a pesquisa AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro virou mais um teste de estresse entre transparência eleitoral e tutela judicial da opinião pública. No centro da disputa, não está só a queda do senador nas intenções de voto, mas quem manda na narrativa em ano de eleição.

De um lado, o TSE pisa no freio. A ministra Estela Aranha pediu vista e paralisou por até 30 dias a análise da decisão de Kassio Nunes Marques, que mandou tirar do ar o levantamento que apontou queda de 5 a 7 pontos de Flávio em cenários de segundo turno contra Lula. A decisão individual de Nunes segue valendo: a pesquisa está suspensa e fora dos canais oficiais. Para o ministro, o questionário, ao inserir um áudio da conversa entre o senador e o ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, após um “bloco acusatório” de perguntas, teria submetido o eleitor a “estímulos negativos” e extrapolado a “aferição neutra do eleitor”. A defesa do PL ecoa o argumento: oito das 49 perguntas tratariam diretamente do Banco Master, o que teria induzido respostas negativas.

Do outro lado, cresce a leitura de que o que está em jogo é censura travestida de zelo metodológico. A Revista Fórum fala abertamente em “censura à pesquisa Atlas” e registra que, com o pedido de vista, “permanece a censura ao levantamento”, apesar de se tratar de sondagem registrada e já realizada. A AtlasIntel, por sua vez, defende a “robustez técnica e a legalidade do estudo” e diz confiar no colegiado para esclarecer a metodologia.

Há, porém, um ponto de convergência raro: tanto ministros alinhados ao rigor metodológico quanto críticos da suspensão admitem que o caso vai muito além de Flávio. Nunes Marques e outros membros do TSE querem usar o processo para fixar regras gerais sobre uso de áudios e vídeos em pesquisas e estabelecer parâmetros que valham “para toda e qualquer pesquisa e a todo e qualquer candidato”, sem critérios subjetivos. A divergência é outra: o preço a pagar, agora, é tirar um levantamento incômodo de circulação – ou deixar o eleitor decidir sozinho quem merece crédito nas urnas e nas pesquisas.

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