PEC pelo fim da escala 6x1 avança na Câmara e pressiona Senado
PEC pelo fim da escala 6x1 avança na Câmara e pressiona Senado A batalha pelo fim da escala 6x1 virou teste de coerência política em Brasília: enquanto a Câmara atropela para garantir dois dias de descanso, o Senado pisa no freio — e a oposição prevê desastre econômico, mas sem abrir mão de seus próprios privilégios de agenda.
De um lado, o campo governista vende a mudança como correção histórica. A aprovação da PEC 221/19 na Câmara, com 461 votos a favor e redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, é apresentada como vitória da “classe trabalhadora que acorda cedo, pega ônibus lotado e constrói esse país com o próprio suor”, nas palavras do líder do governo Paulo Pimenta. Para essa ala, o recado é simples: fim da 6x1, jornada máxima de 8 horas, dois dias de descanso e sem corte de salário.
A estratégia é dupla: pressão política e manobra regimental. A Câmara pautou um PL com o mesmo conteúdo da PEC “para pôr fim à escala 6x1 e jogar pressão ao Senado” e, ao mesmo tempo, “destravar a pauta da Casa” travada pelo regime de urgência, abrindo caminho para temas como o Marco Legal da IA e o novo limite do MEI.
No outro polo, a oposição bolsonarista tenta colar o rótulo de populismo. Nikolas Ferreira classificou o fim da 6x1 como “medida populista” e avisou que “não existe almoço grátis”, chegando a defender que a “quebradeira comece antes das eleições” para jogar a culpa no governo. Enquanto prega rigor para o trabalhador, passou o dia útil embarcando para ver a Seleção na Copa, em Nova York.
Já no Senado, o contraste é entre festa e fila de espera. Davi Alcolumbre deixou a PEC parada enquanto a Casa dedica sessão especial ao “Dia do Quadrilheiro Junino”, num cenário em que o texto “parou no Senado como carro enguiçado” e sob o risco de ser atropelado pela “PEC das Horas Trabalhadas”, apelidada por sindicatos de “PEC da Escala 7x0”. Para o governo e aliados, o recado é claro: ou o Senado dança conforme o ritmo das urnas de 2026, ou corre o risco de virar o vilão oficial do cansaço nacional.
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