EUA e Irã indicam que acordo de paz está próximo de ser assinado

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã declararam que um memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio está muito próximo de ser concluído. As negociações ocorrem em meio a tensões militares, com os EUA anunciando a interceptação de drones iranianos, mas o otimismo sobre um acordo persiste.
EUA e Irã indicam que acordo de paz está próximo de ser assinado

EUA e Irã indicam que acordo de paz está próximo de ser assinado Os drones continuam caindo no Estreito de Ormuz, mas o clima nas mesas de negociação é de “quase paz”. Entre mísseis e memorandos, Washington e Teerã vendem ao mundo versões muito diferentes do mesmo acordo — e ambos juram estar ganhando.

De um lado, o Irã exibe confiança. O chanceler Abbas Araghchi repete que o memorando de Islamabad “nunca esteve tão perto” de ser concluído e que a guerra com os EUA “nunca esteve tão perto” de acabar, embora peça silêncio à imprensa até o texto final. Teerã divulga que o rascunho inclui o fim do bloqueio naval americano, novas regras para o Estreito de Ormuz e até uma solução para o conflito no Líbano, com exigência de respeito explícito à soberania iraniana.

Do outro lado, Washington se apresenta como o arquiteto de uma “derrota nuclear” do Irã. Uma autoridade americana detalha um memorando que prevê a reabertura de Ormuz, o levantamento do bloqueio aos portos iranianos e, em troca, o desmantelamento do programa nuclear, destruição do urânio altamente enriquecido e inspeções rígidas — com alívio de sanções apenas depois de o Irã cumprir cada etapa. Segundo essa leitura, Teerã “não ganha nada” só por assinar: benefício vem apenas com a obediência.

No campo de batalha, porém, nada lembra cessar-fogo. O Comando Central dos EUA anunciou ter abatido “múltiplos drones” iranianos que miravam navios comerciais em Ormuz, garantindo que o estreito “permanece aberto à navegação” apesar do bloqueio de Teerã. A tensão militar contrasta com a queda do preço do Brent e do WTI, empurrados para o nível mais baixo em meses pela aposta dos mercados em um entendimento iminente.

Analistas críticos veem outra narrativa: para o jornalista Pepe Escobar, qualquer assinatura de Trump seria lida como “derrota estratégica” dos EUA na guerra que ele próprio iniciou, razão pela qual o acordo se torna politicamente tóxico na Casa Branca. Já Araghchi afirma que Washington só voltou à mesa depois de fracassar “nas negociações e no campo de batalha”.

Seja qual for a versão verdadeira, o memorando que “nunca esteve tão perto” também nunca pareceu tão carregado de mísseis, egos e desconfiança.

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