Eleições no Peru: Apuração acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez
Eleições no Peru: Apuração acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez A eleição peruana virou teste de stress para a democracia: margem microscópica, protestos nas ruas e uma candidata deixando o país antes do fim da contagem. No fio da navalha entre direita e esquerda, tudo é disputa – até o relógio da apuração.
De um lado, Keiko Fujimori posa de candidata confiante e institucional. Ela lidera por cerca de 18 mil votos, com pouco mais de 98,5% das atas apuradas, num pleito descrito como “a mais apertada desde o retorno da democracia”. Entre os peruanos no Brasil, venceu com folga: 55,6% a 44,4%, impondo vantagem em 9 das 11 capitais onde houve votação. Ainda assim, anuncia que vai ao exterior por “compromisso familiar” assumido com a filha, insistindo que não se trata de assunto político. E rechaça frontalmente a recontagem total pedida pela esquerda: “Falta-lhes ler a lei”.
Do outro lado, o campo de Roberto Sánchez fala como quem já venceu. Porta-voz do Juntos por el Perú, Anahí Durand afirma que a candidatura “se considera vitoriosa” e sustenta que “nós ganhamos no Peru e isso é bastante”. O partido abriu uma ofensiva jurídica, pedindo nulidade em 2.351 mesas – a maioria no território nacional –, alegando padrões suspeitos que teriam favorecido o Fuerza Popular e possível manipulação de atas. Em paralelo, manifestações em Lima, Chiclayo, Arequipa, Puno e Ayacucho exigem transparência “em defesa do voto popular”.
No centro desse ringue, o presidente interino José María Balcázar tenta se equilibrar. Ele encurta a viagem oficial à Europa para “permanecer em Lima” e coordenar a segurança, pedindo que protestos sejam respeitados, mas “sem provocações nem uso desnecessário da força”. Ao mesmo tempo, cobra rapidez da autoridade eleitoral: a Onpe estaria “trabalhando muito lentamente” e prolongando a incerteza.
Direita, esquerda e governo concordam em algo raro: ninguém confia em esperar sentado. Uns fogem da recontagem, outros correm ao tribunal, todos pressionam o árbitro. A democracia peruana, por enquanto, vai na prorrogação.
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