Congresso discute fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho

O Congresso Nacional tem uma semana decisiva para debater propostas que preveem o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais. O governo Lula enviou um Projeto de Lei com urgência constitucional para pressionar a votação, enquanto uma PEC sobre o tema também tramita nas casas legislativas.
Congresso discute fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho

Congresso discute fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho O fim da escala 6x1 virou cabo de guerra em Brasília: de um lado, governo e base aliada vendem a medida como virada histórica para a classe trabalhadora; do outro, resistência no Senado, lobby empresarial pesado e cálculo eleitoral empurram a decisão para o limite do calendário.

Governo aperta o cerco, Congresso fica sem saída

O Palácio do Planalto montou uma engenharia para amarrar o tema à agenda do Legislativo. Ao enviar o PL 1.838/2026 com urgência constitucional — reduzindo a jornada para 40 horas semanais, garantindo ao menos dois dias de folga e sem corte salarial — Lula transformou o impasse em mecanismo de pressão: enquanto a Câmara não votar, a pauta fica trancada, e depois o mesmo vale para o Senado. A manobra é descrita como um “nó” em Davi Alcolumbre, que vinha sentando sobre a PEC aprovada pelos deputados.

Na Câmara, Hugo Motta tratou de destravar as votações e convocar reunião de líderes para acelerar o parecer de Léo Prates sobre o PL que “acaba com a escala 6x1”, apostando que, ao apreciar a matéria, “destravamos a pauta da Casa”. A base governista vende a semana como decisiva também para a criminalização da misoginia, em pacote trabalhista e de direitos civis.

Senado, lobby e a guerra da narrativa

Enquanto isso, Alcolumbre insiste em ganhar tempo, sem enviar a PEC à CCJ, mesmo debatendo nomes para a relatoria e um cronograma que pode empurrar a tramitação. Para a líder do PCdoB, Jandira Feghali, o cenário é de incerteza: de um lado, “a extrema direita apoiando a PEC dos Patrões e fazendo de tudo para retirar direitos”; do outro, a esquerda tentando garantir o texto aprovado na Câmara e o fim da escala 6x1 “sem redução salarial”.

Já o ex-ministro Ricardo Berzoini aponta o fator subterrâneo: um “lobby pesado” de Fiesp, CNI e afins para não aprovar o fim da escala 6x1, seja para evitar uma vitória política de Lula, seja para não arcar com um aumento de custo de trabalho estimado entre 6% e 7%. Na sua avaliação, sem mobilização de rua, Alcolumbre continuará travando a pauta.

Em resumo: o governo joga com a trava institucional, o Senado com o relógio, o empresariado com a pressão de bastidor — e os trabalhadores, por enquanto, seguem na arquibancada, esperando se o 6x1 cai no grito ou morre no vestiário.

https://resumosbrasil.com/stories/019ecd45-3e5c-2b6c-71bf-1f44b2d4d642

Write a comment