UFC realiza evento na Casa Branca para celebrar aniversário de Trump
UFC realiza evento na Casa Branca para celebrar aniversário de Trump O gramado sul da Casa Branca virou octógono e palco de culto político: aniversário de 80 anos de Donald Trump, 250 anos da independência dos EUA e um UFC “presidencial” que terminou ofuscado não pelos nocautes, mas por teorias da conspiração sobre Michelle Obama.
De um lado, a narrativa do espetáculo histórico. O evento “UFC Freedom 250” é descrito como algo “nunca visto antes na história do esporte”, com duas estruturas monumentais, a arena “A Garra” diante da Casa Branca, todas as lutas terminando em nocaute e brasileiros em peso no card, ainda que a noite termine em “tristeza nacional” com a derrota de Alex Poatan para Ciryl Gane. Outra cobertura enfatiza o ineditismo: o principal torneio de MMA do mundo fazendo sua “primeira edição na Casa Branca”, com banda da Marinha, sobrevoo de Blue Angels e Thunderbirds e 4 mil convidados em gramado VIP, enquanto 80 mil pessoas assistiam da fan zone ao lado.
Na chave trumpista, a festa foi “muito legal”, como resumiu um entusiasmado Rodrigo Constantino no X, celebrando o UFC na Casa Branca no dia do aniversário de Trump. Allan dos Santos ecoa o hype: “foi uma ótima ideia” fazer um UFC “no quintal da Casa Branca”, exaltando a entrada “épica” de Trump com Dana White. Leandro Ruschel, por sua vez, transforma o octógono em munição de guerra cultural, atacando críticos que reclamam do uso da Casa Branca para o UFC, mas “não viram qualquer problema” em Biden abrir o espaço para festa “com travestis fazendo topless”.
Já veículos críticos destacam a mistura de espetáculo, culto à personalidade e grosseria política. CartaCapital relata Trump saindo do Salão Oval ao lado de Dana White rumo ao gigantesco octógono, descrevendo a noite como polêmica, com homenagens ao presidente e “ataque misógino contra Michelle Obama”. A fala veio de Josh Hokit, que após nocautear Derrick Lewis gritou: “Michelle Obama é um homem. Estou certo, América?”, reacendendo uma teoria conspiratória “antiga, falsa e amplamente desmentida”.
Mesmo entre veículos simpáticos ao evento, há desconforto com o golpe abaixo da cintura retórico. Brasil Paralelo destaca que o comentário dividiu o público e registra que Dana White classificou a frase como “falsa” e “desagradável”, afirmando ser “completamente contra dizer coisas falsas e desagradáveis sobre as famílias das pessoas”, embora defenda a liberdade de expressão.
O contraste é brutal: para uns, Trump “farmou aura demais” em uma noite “além do imaginável” no centro do poder americano; para outros, ele transformou o jardim presidencial em arena de campanha e megafone para teorias conspiratórias. Entre o show e o constrangimento, a Casa Branca virou, literalmente, ringue ideológico.
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