CNI projeta impacto de novas tarifas dos EUA em exportações brasileiras
CNI projeta impacto de novas tarifas dos EUA em exportações brasileiras As novas tarifas comerciais que os EUA estudam impor ao Brasil transformam um parceiro-chave em campo minado: ou o Brasil cede em temas sensíveis, ou arrisca ver até metade de suas vendas ao maior mercado do mundo encarecer brutalmente.
CNI acende o alerta
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) coloca números na ameaça: em um cenário-base, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA poderiam passar a pagar tarifa de 37,5%, contra os atuais 10%. Outros 3,6% teriam alta de 10% para 12,5%. Somando-se os efeitos de tarifas setoriais já em vigor, o impacto potencial chega a 54,1% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano submetidas a algum tipo de sobretaxa.
Do ponto de vista da indústria brasileira, trata-se de um movimento nitidamente protecionista de Washington, com forte dano colateral: cadeias produtivas integradas Brasil–EUA sofreriam, encarecendo insumos, reduzindo competitividade e travando investimentos em ambos os lados.
A narrativa de Washington
Já o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) se ancora na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento típico de retaliação contra o que considera práticas “injustificáveis”. Segundo o relatório que embasa as recomendações, o Brasil distorce o livre mercado por meio de “censura digital, protecionismo tarifário, pirataria, desmatamento ilegal, impunidade em casos de corrupção e o Pix”.
Na prática, Washington arma um pacote de sobretaxas de 25 pontos percentuais adicionais sobre uma ampla gama de produtos, mirando desde ferro-gusa, açúcar e sebo até etanol e molduras de madeira, com possibilidade de aplicação a partir de 15 de julho de 2026, após consultas públicas e audiências.
Convergência: incerteza
Se Brasil e EUA discordam frontalmente sobre quem distorce o mercado, convergem em um ponto silencioso: ninguém ganha com incerteza. Enquanto a tarifa não sai do papel, empresas dos dois países já refazem contas – e, com elas, planos de produção, emprego e investimento.
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