Polícia da China interrompe culto e prende fiéis de igreja protestante

Uma operação policial na província de Sichuan, na China, interrompeu um culto da Igreja Early Rain Covenant, resultando na detenção de 31 fiéis, incluindo crianças e pastores. Embora a maioria tenha sido liberada após interrogatório, dois líderes da igreja permanecem sob custódia.
Polícia da China interrompe culto e prende fiéis de igreja protestante

Polícia da China interrompe culto e prende fiéis de igreja protestante Uma madrugada de culto interrompido em Jiangyou virou mais um capítulo da guerra fria entre o controle religioso do Partido Comunista Chinês e a resistência de igrejas protestantes independentes. No centro da disputa: crianças interrogadas, pastores presos e um Estado que insiste que tudo não passa de questão “administrativa”.

De um lado, estão os fiéis e veículos críticos ao regime, descrevendo a operação como repressão religiosa em plena atividade de culto. A polícia entrou na Igreja Early Rain Covenant, interrompeu a reunião e levou 31 cristãos para interrogatório, incluindo crianças e dois pastores, em uma ação que mobilizou entre 50 e 70 agentes de vários órgãos do governo chinês. Testemunhas relataram que mais de 30 membros e líderes foram “levados à força em vários veículos policiais” e que até crianças pequenas foram detidas e submetidas a verificações de identidade.

Essas fontes apontam para um padrão: a Early Rain Covenant já vinha sendo alvo desde 2018, quando uma operação anterior prendeu cerca de 100 membros e resultou na condenação a nove anos de prisão do pastor fundador Wang Yi por “subversão de poder e atividades comerciais ilegais”. Agora, dois anciãos – Yan Hong e Wu Wuqing – permanecem sob custódia, sem explicação clara das autoridades sobre os motivos das detenções.

Do outro lado, está a narrativa oficial de Pequim, que não aparece em detalhes nas reportagens, mas é descrita de forma consistente: o governo não proíbe formalmente o cristianismo, porém impõe registro estatal obrigatório para igrejas, limita cultos a espaços autorizados e mantém “forte controle” sobre todas as atividades religiosas. Críticas internacionais são rejeitadas como “interferência em assuntos internos chineses”, enquanto organizações e veículos estrangeiros falam em perseguição sistemática.

Entre a disciplina estatal e a liberdade de culto, fica uma igreja que canta hinos na delegacia enquanto assina – ou recusa assinar – declarações juramentadas em troca da própria liberdade.

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