Mercado reage ao acordo EUA-Irã com queda no preço do petróleo
Mercado reage ao acordo EUA-Irã com queda no preço do petróleo O cessar-fogo entre EUA e Irã derrubou o petróleo quase 5% em um dia e acendeu um rali nas bolsas globais — mas, para o Brasil, o suposto “alívio” veio com gosto amargo na B3.
Enquanto o exterior comemorou, com altas robustas em Ásia, Europa e EUA após o Brent desabar 4,76%, para US$ 83,17, mínima desde o início da guerra, o Ibovespa andou na contramão. O índice virou para queda de 0,42%, pressionado justamente pelo ícone nacional do petróleo: as ações preferenciais da Petrobras despencaram 5,15% em um único pregão. Outro retrato da ressaca local veio da cobertura que destacou como o acordo que derruba a commodity lá fora estrangula aqui a gigante exportadora, reduz a entrada de dólares e limita o bom humor com a trégua no Oriente Médio.
Já nos mercados internacionais, o tom é de euforia pragmática. O petróleo Brent e o WTI fecharam na mínima de três meses após Donald Trump anunciar o memorando com Teerã para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. Analistas falam em “avalanche de oferta” e bancos como o Citi já cortam projeções do Brent para a faixa de US$ 70–75 nos próximos trimestres, apostando na normalização dos fluxos pelo estreito estratégico.
Mas o otimismo tem freio de mão puxado. Especialistas lembram que a queda deve ser limitada: incertezas sobre o comportamento de Israel, os riscos ainda presentes em Hormuz e a necessidade de reconstruir cadeias logísticas indicam que o barril dificilmente voltará tão cedo aos US$ 70 pré-guerra. Para o Brasil, o veredito é ambíguo: inflação tende a aliviar com energia mais barata, mas a festa global no curto prazo não apaga o velho problema doméstico — um fiscal frágil e juros altos que seguem travando o entusiasmo da bolsa.
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