Rio de Janeiro adere a programa federal de renegociação de dívidas
Rio de Janeiro adere a programa federal de renegociação de dívidas O Rio de Janeiro comprou um alívio bilionário para o caixa — mas também entrou num laboratório político e fiscal de longo prazo. A entrada no Propag renegocia R$ 210 bilhões em dívidas e zera juros, mas divide interpretações sobre quem ganha, quem paga e até onde vai o fôlego dessa “virada”.
De um lado, o governo Lula e aliados tratam a assinatura como marco histórico. Para o Brasil 247, esta segunda-feira é “o dia da virada econômica do Rio de Janeiro”, com prestações caindo de R$ 490 milhões para R$ 113 milhões mensais e abatimento de cerca de R$ 40 bilhões ao longo de 30 anos. O próprio Lula carimbou o acerto como “acordo civilizatório” que reduz os juros de 4% para 0% ao ano e evita o pagamento de cerca de R$ 8 bilhões em juros, abrindo espaço para mais gasto social.
Eduardo Paes, pré-candidato ao governo, celebrou “governos sem conversinha ideológica trabalhando juntos” e destacou economia de R$ 6 bilhões só em 2026, numa crítica direta à “guerra ideológica” da antiga gestão estadual com Brasília. Marcelo Freixo foi na mesma linha, conectando o Propag a R$ 702,9 milhões em obras em favelas e a um Estado que “sobe a favela para construir”, além de estimar economia de R$ 3,1 bilhões até dezembro. Até na direita bolsonarista o momento virou munição irônica: “Pega fogo caberé!!! O MASTER É DO LULA🔥”, tuitou Eduardo Bolsonaro, reconhecendo, ainda que aos gritos, o protagonismo do petista na agenda econômica.
Já leituras mais frias lembram que milagre não existe. A Folha descreve a adesão como uma “aposta” para aliviar desequilíbrio fiscal que pode chegar a R$ 19 bilhões neste ano, com forte amarra em contrapartidas de educação e infraestrutura. A Gazeta do Povo resume sem adjetivos: o estado “entra em programa que renegocia dívida de R$ 210 bilhões” e deixa de pagar parte dos juros para redirecionar recursos a educação e segurança.
Em comum, aliados e críticos enxergam um ponto: o Rio ganhou tempo. A diferença está em saber se esse tempo será usado para reconstrução estrutural ou apenas para uma trégua contábil antes da próxima crise.
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