Ex-jogador alemão Schweinsteiger é acusado de racismo por fala sobre seleção africana

O ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger foi acusado de usar estereótipos racistas ao descrever o futebol da Costa do Marfim como "selvagem" e pouco tático durante um comentário na TV. Críticos na Alemanha argumentam que as declarações ecoam clichês coloniais sobre atletas negros.
Ex-jogador alemão Schweinsteiger é acusado de racismo por fala sobre seleção africana

Ex-jogador alemão Schweinsteiger é acusado de racismo por fala sobre seleção africana O que é apenas “linguagem do futebol” para uns, para outros é a repetição de velhos clichês coloniais ao vivo em rede nacional. O comentário de Bastian Schweinsteiger sobre a Costa do Marfim rachou a Alemanha entre quem vê racismo e quem enxerga apenas uma escolha infeliz de palavras.

O ex-meio-campista da seleção descreveu o “futebol africano” dos marfinenses como “pouco ortodoxo”, “um pouco selvagem” e “talvez, às vezes, não tão marcado pela tática”, ao comentar Alemanha x Costa do Marfim na TV pública ARD. Em outra leitura, ele teria apenas tentado prever um jogo “imprevisível em alguns momentos”.

De um lado, críticos e parte da imprensa alemã não aliviaram. As falas foram classificadas como uso de “estereótipos racistas e coloniais”, que reduzem atletas negros a atributos físicos e irracionais. Colunistas lembraram que, historicamente, pessoas negras foram rotuladas como “incivilizadas” e “potencialmente perigosas” — exatamente o subtexto de termos como “selvagem” e “imprevisível”, argumentam.

Do outro lado, há quem tente enquadrar o episódio como erro sem intenção racista. A própria cobertura nota que “wild” pode significar também rebeldia ou irreverência em alemão, não só “selvagem”. E vozes antirracistas, como o jornalista Philipp Awounou, rejeitam carimbar Schweinsteiger pessoalmente como racista, preferindo apontar o problema estrutural: comentaristas, dados acadêmicos mostram, ainda descrevem jogadores negros de forma diferente de atletas brancos.

O consenso, ironicamente, aparece exatamente na divergência: tanto defensores quanto críticos admitem que o peso das palavras importa. A diferença é se o comentário de Schweinsteiger é visto como sintoma profundo de um futebol que ainda não se livrou do seu vocabulário colonial — ou como mais um tropeço de linguagem que expõe, sem querer, o quanto esse vocabulário segue em campo.

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