Candidato de esquerda do Peru contesta resultado e pede anulação de votos do exterior

O candidato de esquerda à presidência do Peru, Roberto Sánchez, declarou que não reconhecerá a vitória da adversária Keiko Fujimori, alegando fraude. Sánchez solicitou a anulação de mais de 300 mil votos de peruanos residentes no exterior, que majoritariamente favorecem Fujimori, e convocou seus apoiadores para protestos.
Candidato de esquerda do Peru contesta resultado e pede anulação de votos do exterior

Candidato de esquerda do Peru contesta resultado e pede anulação de votos do exterior A eleição que deveria encerrar uma década de instabilidade no Peru virou guerra aberta pelo regulamento: de um lado, Roberto Sánchez exige jogar fora centenas de milhares de votos do exterior; do outro, instituições e adversários o acusam de tentar virar o jogo no tapetão.

O argumento de Sánchez: “fraude em curso”

Sánchez afirma que há “fraude em curso” na contabilização dos votos, especialmente os depositados em repartições consulares no exterior, e diz que não reconhecerá um eventual governo Keiko Fujimori. Ele sustenta que a mudança logística — cédulas deixaram de ser apuradas fora do país e passaram a ser centralizadas em Lima — seria “uma grave violação da intangibilidade das normas eleitorais”.

Em todos os relatos, o ponto é o mesmo: cerca de 300 mil votos de peruanos no exterior, onde Keiko tem ampla vantagem (cerca de 63%), seriam anulados, o que reverteria o resultado e daria a Sánchez uma folgada dianteira, algo em torno de 25 mil votos. O candidato convocou marchas para “resistir” à suposta fraude e promete não reconhecer a vitória da rival.

A leitura pró-Fujimori: golpe via caneta

Veículos de oposição tratam o movimento como tentativa explícita de deslegitimar uma vitória apertada, mas limpa. Ressaltam que Sánchez não apresentou provas das irregularidades que alega e lembram que missão da União Europeia descreveu o pleito como “calmo e ordeiro”, apesar da polarização.

Nesse enquadramento, pedir para descartar justamente o eleitorado que favorece a direita é visto como manobra para reescrever o mapa eleitoral no fim do jogo. O paralelo com debates sobre desconfiança em urnas eletrônicas em outros países aparece nas redes, onde comentaristas ironizam que até defender mecanismos adicionais de controle já virou tabu.

Instituições no meio do tiroteio

Relatos mais alinhados ao governo destacam a posição de especialistas em direito eleitoral: o pedido de Sánchez “não tem fundamento jurídico” e serviria apenas para atrasar a proclamação oficial do resultado. Enquanto isso, a ONPE segue revisando atas e recursos sob desconfiança aberta de metade do país — e expectativa tensa da outra metade.


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