Erika Hilton acusa direção do PSOL de descumprir acordo sobre fundo eleitoral

A deputada federal Erika Hilton acusou a direção nacional do PSOL de descumprir acordos sobre a distribuição de recursos do fundo eleitoral, alegando que sua campanha está sendo prejudicada em favor de outros candidatos. O partido respondeu afirmando que a campanha de Hilton é o maior investimento da sigla e que a política de inclusão está mantida.
Erika Hilton acusa direção do PSOL de descumprir acordo sobre fundo eleitoral

Erika Hilton acusa direção do PSOL de descumprir acordo sobre fundo eleitoral Erika Hilton transformou o caixa eleitoral do PSOL em palco de guerra: de um lado, a deputada diz que o partido rasgou acordos e boicota candidaturas negras; de outro, a direção rebate que ela é justamente o maior investimento da sigla.

O lado de Erika: acordo rasgado e “privilégio branco e cis”

Pelas redes, Erika acusa a cúpula comandada por Paula Coradi de desmontar a política de inclusão que priorizava critérios de gênero, raça e deficiência na divisão do fundo eleitoral, trocando-a por um arranjo que favoreceria recém-chegados brancos e cis. Ela afirma que decidiu ficar no PSOL para ajudar a superar a cláusula de barreira e fortalecer a bancada pró-Lula, mas que o partido está “rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”.

A deputada aponta Manuela D’Ávila e Juliano Medeiros como exemplos de priorização indevida: Manuela teria previsão de receber mais que o dobro de recursos que ela, enquanto Juliano, em sua primeira candidatura, teria a mesma prioridade de uma puxadora de votos consolidada. Isso, resume Erika, seria “privilégio branco e cis sobrepondo tudo”. Em outra frente, ela diz ter recusado propostas para migrar de partido e acusa a direção de tê-la “implorado para ficar” para garantir a cláusula de barreira.

A versão do PSOL: foco em estratégia e em Lula

A direção nacional reage dizendo que a campanha de Erika é, na verdade, “o maior investimento do partido” e nega qualquer boicote a candidaturas negras. Em nota, o PSOL sustenta que a distribuição do fundo está alinhada a objetivos estratégicos: ampliar bancadas federal e estadual e contribuir para a reeleição de Lula, mantendo a política de incentivo a mulheres, negros, indígenas, LGBTs e PCDs como prática consolidada, sem retrocessos.

Enquanto veículos de oposição pintam o caso como “briga feia” e “tudo por dinheiro”, reduzindo o conflito a ciúme por verba e disputa de influência interna, o embate real expõe algo mais incômodo para a esquerda: quando a retórica de representatividade encontra o cálculo frio do fundo eleitoral, quem, na prática, fica com a conta — e com o caixa.

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