Governo prepara programa para parcelar dívidas de MEIs em até 12 anos

O Ministério do Empreendedorismo anunciou que está preparando um novo programa, semelhante ao Desenrola, para permitir que Microempreendedores Individuais (MEIs) parcelem dívidas fiscais em até 145 meses (cerca de 12 anos). A medida visa oferecer descontos de até 70% nos juros e facilitar a regularização dos pequenos negócios.
Governo prepara programa para parcelar dívidas de MEIs em até 12 anos

Governo prepara programa para parcelar dívidas de MEIs em até 12 anos Um “Desenrola” para MEI promete aliviar o sufoco de quem empreende na base do boleto, mas expõe um embate clássico: política pública anticrise ou generosidade eleitoreira com dinheiro público?

O que está na mesa

O governo Lula prepara um programa que permitirá ao microempreendedor individual parcelar dívidas tributárias em até 145 meses, algo como 12 anos, com desconto de até 70% nos juros, mantendo o principal da dívida. A proposta é tratada pela imprensa governista como um alívio estrutural para milhões de CNPJs sufocados por atrasos.

Os detalhes: limite de até R$ 20 mil por MEI, parcela mínima de R$ 25 e foco em dívidas fiscais, num desdobramento do Desenrola, que tratou de débitos bancários. Medida vem ainda acoplada à elevação gradual do teto de faturamento do MEI e a uma revisão do Simples Nacional.

O olhar governista: fôlego e inclusão

Veículos alinhados ao governo destacam que o programa é pensado para reduzir o endividamento e regularizar a situação de trabalhadores que estão em atraso ou tiveram CNPJ cancelado, oferecendo “uma nova oportunidade” de voltar à formalidade. Nessa narrativa, trata-se de uma política de desenvolvimento – e não de benevolência fiscal – que amplia o teto de faturamento e ajusta regras para micro e pequenas empresas.

A crítica da oposição: bondade cara em ano eleitoral

Na leitura mais crítica, o pacote é parte de uma “série de benefícios lançados em ano eleitoral”, com impacto estimado de R$ 2 bilhões anuais aos cofres públicos. O enquadramento é menos sobre justiça tributária e mais sobre oportunismo: alongar prazos e cortar juros pode ser necessário para 3 a 4 milhões de MEIs inadimplentes, mas significa empurrar a conta para o futuro e tensionar a responsabilidade fiscal agora.

No fim, governo e oposição concordam em uma coisa: o MEI virou campo de batalha central entre aliviar quem produz na ponta e manter o caixa da União respirando.

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