Divergência sobre inspeções nucleares marca negociações entre EUA e Irã
Divergência sobre inspeções nucleares marca negociações entre EUA e Irã As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã estão tentando parar uma guerra com um detalhe explosivo em aberto: afinal, haverá ou não inspeções nucleares no território iraniano?
De um lado, a versão alinhada a Washington e às instituições internacionais vende a ideia de que a questão já está encaminhada. A AIEA garante que “as inspeções sobre o programa nuclear do Irã vão ser retomadas”, embora admita que ainda “faltam detalhes” sobre escopo, datas e locais. O diretor-geral Rafael Grossi cita até o “parágrafo oito do memorando”, que prevê supervisão das atividades nucleares pela agência, como prova de que o acesso é parte do pacote negociado entre Teerã e Washington. Na narrativa próxima ao governo dos EUA, trata-se de continuidade: mais um capítulo da história em que Trump já havia anunciado que o Irã aceitara inspeções “infinitas”.
Do outro lado, o regime iraniano pisa no freio e desmente qualquer ar de normalidade. Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores, nega “qualquer acordo para permitir a entrada de inspetores da AIEA” e diz que não há nem mesmo reunião com Grossi na Suíça, “apesar da sua solicitação”. Segundo Teerã, inspeções só serão discutidas depois do fim das sanções e de um acordo final – ou seja, o acesso vira moeda de troca, não pré-condição.
A imprensa de oposição ao regime iraniano e crítica ao entendimento com Trump sublinha essa contradição como sinal de fragilidade do memorando: há um documento que a AIEA lê como autorização implícita, mas que Teerã trata como ponto ainda em disputa. Resultado: enquanto a ONU fala em “vai acontecer”, o Irã insiste em “ainda não”, e o suposto consenso nuclear continua sendo o calcanhar de Aquiles de uma paz que, por ora, é mais retórica que realidade.
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