STM nega recurso de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento sobre patente

O plenário do Superior Tribunal Militar (STM) negou, por unanimidade, um recurso da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro que pedia o afastamento do ministro tenente-brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo do processo que pode resultar na perda de sua patente de capitão. A defesa alegava suspeita de parcialidade do ministro, argumento que foi rejeitado pela corte.
STM nega recurso de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento sobre patente

STM nega recurso de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento sobre patente O cerco jurídico em torno de Jair Bolsonaro apertou um pouco mais: o Superior Tribunal Militar (STM) blindou um de seus próprios ministros e manteve intacto o tabuleiro do julgamento que pode transformar o “capitão reformado” em ex-capitão.

Enquanto o governo e a cúpula militar vendem a decisão como respeito ao “juiz natural”, a oposição comemora o que vê como primeiro passo para um acerto de contas com o bolsonarismo fardado.

De um lado, veículos alinhados ao governo sublinham a unanimidade e a normalidade institucional. O STM rejeitou, sem um voto divergente, o pedido de suspeição contra o tenente‑brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo, mantendo-o no processo que pode levar à perda da patente de Bolsonaro. A corte considerou a ação “manifestamente improcedente” e chancelou a decisão anterior da presidente do tribunal, ministra Maria Elizabeth Rocha. Para ela, as declarações de Camelo sobre punir militares envolvidos no 8 de Janeiro foram genéricas, não citavam o ex-presidente e apenas repetiam “noção jurídico‑lógica” de que quem comete crime, se condenado, deve ser punido.

Essa mesma linha ressalta o recado político ao meio militar: os 15 ministros do STM, entre civis e oficiais de alta patente, começam a se mostrar menos tolerantes com colegas condenados por tentativa de golpe, ainda que o julgamento da perda de patente só deva ocorrer depois das eleições. A mensagem, sintetizam esses relatos, é que não se afastará ministro por declarações de defesa da legalidade, sob pena de esvaziar a própria Justiça Militar.

Do outro lado, a oposição lê a derrota de Bolsonaro como etapa num roteiro maior. Ao lembrar que o caso só existe porque o STF já o condenou por tentativa de golpe, essa narrativa enfatiza que o STM agora julgará se ele ainda reúne “condições éticas, morais e profissionais” para ostentar o posto de oficial. O foco não está no ministro que fica, mas no título que pode cair: a patente de capitão, último símbolo militar do ex-presidente, está formalmente sob risco.

No contraste, algo em comum: ambos os campos tratam o movimento de hoje como preliminar. Mas enquanto o bolsonarismo tenta ganhar tempo e deslegitimar quem o julga, governo e oposição já enxergam, no horizonte, uma eventual cena historicamente inédita: um ex-presidente da República declarado indigno do oficialato pelo tribunal de farda.

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