OAB-SP suspende registro de advogada da influenciadora Deolane Bezerra

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) suspendeu preventivamente o registro profissional da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. A medida a impede de exercer a advocacia enquanto responde a um processo por lavagem de dinheiro e organização criminosa, no qual é acusada de ter ligações com o PCC.
OAB-SP suspende registro de advogada da influenciadora Deolane Bezerra

OAB-SP suspende registro de advogada da influenciadora Deolane Bezerra A suspensão relâmpago da OAB-SP contra a advogada e influenciadora Deolane Bezerra virou teste de estresse para três instituições ao mesmo tempo: Ordem, Ministério Público e Judiciário. De um lado, discurso de zelo ético; de outro, críticas veladas sobre garantias da defesa em meio a um caso com a sigla PCC estampada em cada linha do processo.

OAB: blindar a imagem ou proteger a classe?

Nos veículos mais alinhados ao governo, o foco é na resposta institucional. A narrativa é de que a Ordem agiu rápido ao suspender o exercício da advocacia de Deolane “com efeito imediato”, após ela se tornar ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada a um “suposto esquema” do PCC. A medida é descrita como cautelar, com prazo inicial de 90 dias, podendo chegar a 360 durante o julgamento disciplinar.

A OAB-SP insiste na liturgia: todas as infrações são apuradas pelo Tribunal de Ética “por representação ou por fatos divulgados publicamente” e os processos correm sob sigilo, como prevê a lei. Em paralelo, a mesma Ordem que agora suspende a advogada havia impetrado habeas corpus pedindo sala de Estado-Maior ou prisão domiciliar, após vistoria que classificou a cela em Tupi Paulista como insalubre e inadequada.

Acusação: milhões em jogo e PCC no centro

Na leitura mais dura, típica da oposição, o destaque está na gravidade das suspeitas. A Revista Oeste sublinha que a OAB-SP suspendeu o registro enquanto o Ministério Público aprofunda denúncias de organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo Deolane e familiares de Marcola, líder do PCC. Investigações apontam R$ 13,6 milhões em suas contas pessoais e cerca de R$ 14 milhões em empresas ligadas a ela entre 2018 e 2022.

Aqui, a ênfase não é na cautela processual, mas no enredo criminal: a denúncia inclui Marcola e parentes, e sustenta que empresas em nome da influenciadora teriam sido usadas para ocultar recursos ilícitos.

O ponto cego comum

Tanto nos relatos governistas quanto oposicionistas, há um silêncio compartilhado: a versão completa da defesa. Enquanto um lado ressalta o zelo ético da OAB e outro amplifica o peso das cifras e do PCC, o devido processo — inclusive o direito de resposta ampla — segue tramitando no mesmo lugar que tudo nesse caso: sob sigilo.

https://resumosbrasil.com/stories/019efe32-d5bb-372f-70f9-0c5c546414ec

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