Lula parabeniza presidente de direita eleito na Colômbia, Abelardo de la Espriella
Lula parabeniza presidente de direita eleito na Colômbia, Abelardo de la Espriella A eleição do ultradireitista Abelardo de la Espriella na Colômbia virou teste imediato para a diplomacia de Lula: como manter o discurso progressista enquanto estende a mão a um aliado declarado de Donald Trump em plena Amazônia compartilhada?
De um lado, o Planalto tenta vender normalidade institucional. Para veículos alinhados ao governo, a mensagem de Lula ao colombiano é um gesto pragmático diante de uma “mudança na correlação de forças na América do Sul”, em que o petista cumprimenta o vencedor e preserva espaço para cooperação futura. A ênfase é na continuidade da relação bilateral e na necessidade de diálogo regional, mesmo com governos de sinais ideológicos opostos.
A oposição, porém, enxerga outra história. A Revista Oeste destaca que Lula foi explícito ao celebrar “a escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella” e a “manifestação democrática da população colombiana”, ao mesmo tempo em que prega que a amizade Brasil-Colômbia “transcende ideologias” e é vital para temas como Amazônia, pobreza e crime organizado. Nesse enquadramento, o governo brasileiro aparece como quem tenta se adaptar a uma guinada conservadora inevitável, mas sem abandonar a retórica ambiental e social.
Já a imprensa crítica à esquerda latino-americana sublinha sobretudo o novo protagonista em Bogotá. A Gazeta do Povo descreve Espriella prometendo a “reconstrução de um país vergonhosamente saqueado” pelo governo de Gustavo Petro e impondo ultimato de um mês para que grupos armados ilegais se rendam, descartando negociações de paz ao estilo do antecessor. A Fórum reforça o pacote: fim da “conivência com o crime”, corte de 40% no tamanho do Estado, retomada do petróleo e linha dura contra o narcotráfico, num presidente que se declara admirador de Trump.
No contraste, Lula tenta se posicionar como fiador institucional de uma relação estável; Espriella se apresenta como o anti-Petro, disposto a romper com tudo. A pergunta que sobra para a região é se essa convergência pragmática durará mais do que o primeiro conflito real – seja na floresta, seja na fronteira.
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