PF mira deputado Josimar Maranhãozinho em operação contra desvio de emendas

A Polícia Federal deflagrou a Operação Afluente para investigar um esquema de desvio de recursos públicos através de emendas parlamentares no Maranhão. Um dos principais alvos é o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que já foi condenado pelo STF pelo mesmo crime. A operação apreendeu um helicóptero e dinheiro em endereços ligados ao parlamentar.
PF mira deputado Josimar Maranhãozinho em operação contra desvio de emendas

PF mira deputado Josimar Maranhãozinho em operação contra desvio de emendas A Operação Afluente não mira apenas um deputado problemático; escancara o choque entre o discurso anticorrupção do bolsonarismo e a prática de um de seus caciques mais influentes, Josimar Maranhãozinho.

O que diz a investigação

Segundo a Polícia Federal, a nova ofensiva aprofunda um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de emendas parlamentares, operado via Codevasf e empresas ligadas ao grupo político de Maranhãozinho. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no DF, em Goiás e no Maranhão, apreendendo maços de dinheiro em espécie e um helicóptero ligado ao deputado.

Em um dos relatos, o parlamentar é apontado como sócio de empresa contratada para executar obras bancadas por essas emendas, peça-chave no que os investigadores descrevem como organização criminosa mista, envolvendo agentes públicos e privados. Outro texto descreve Maranhãozinho como chefe de um esquema em que prefeitos teriam de pagar 25% do valor das emendas para liberar os recursos, sob pressão caso resistissem.

O peso do passado e a guerra interna

Não se trata de um caso isolado. O deputado já foi condenado pela Primeira Turma do STF a 6 anos e 5 meses de prisão por corrupção passiva e desvio de emendas, com o relator Cristiano Zanin apontando-o como líder de grupo criminoso. Em outra ação, a Corte concluiu que emendas eram usadas como “moeda de troca” para obtenção de vantagens ilícitas.

Dentro do PL, o caso virou bomba-relógio. A pressão começou após as eleições de 2024, quando Jair Bolsonaro exigiu publicamente a expulsão imediata de Josimar e de Pastor Gil, também investigado, cobrando que o partido não mantivesse parlamentares “pegos em esquemas de corrupção”. A crise já derrubou a esposa do deputado, Detinha, do comando do PL Mulher no Maranhão.

Entre narrativa e constrangimento

Veículos alinhados à oposição enfatizam o rótulo de “deputado bolsonarista já condenado” e a conexão com o “orçamento secreto”, declarado inconstitucional pelo STF, para reforçar a contradição entre o discurso anticorrupção e a prática no centrão bolsonarista. Já publicações mais à direita destacam a ação policial e a autorização de Flávio Dino, mas registram que Josimar nega as acusações e resiste a qualquer punição interna no partido.

Enquanto a PF caça helicópteros e maços de dinheiro, o PL tenta pousar essa aeronave política danificada sem explodir o próprio discurso moralista.

https://resumosbrasil.com/stories/019f00c6-783a-2f98-7057-3c2eee7ee7cb

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