PGR rejeita proposta de delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB
PGR rejeita proposta de delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB A recusa da delação de Paulo Henrique Costa virou campo de batalha político: para aliados do governo, é prova de rigor técnico da PGR; para oposicionistas, sinal de que o ex-presidente do BRB não tinha o que oferecer – ou não interessava ao sistema ouvir.
De um lado, veículos próximos ao campo governista sublinham a fundamentação jurídica de Paulo Gonet. A decisão de arquivar a proposta de colaboração premiada se baseou na avaliação de que a delação teria “reduzida utilidade e débil eficácia potencial” e não traria “dados inéditos” às investigações sobre fraudes ligadas ao Banco Master e ao BRB. A PGR ressalta que o acordo de colaboração deve contribuir para “o desfecho correto do processo”, com provas novas, identificação de autores e foco no ressarcimento, requisitos que Costa não teria cumprido. Nessa leitura, Gonet apenas fechou a porta para uma delação fraca, em um caso em que a Operação Compliance Zero já produziu evidências por conta própria.
Do outro lado, a imprensa de viés oposicionista enfatiza o personagem, não o princípio. Costa está preso desde abril, acusado de permitir negócios sem lastro entre BRB e Banco Master e de receber imóveis milionários como propina. Para esses veículos, a mensagem da PGR é clara: o ex-banqueiro não trouxe “informações inéditas”, nem ajudou a “recuperação de valores”. A recusa é tratada quase como carimbo de que ele tentou barganhar com pouco conteúdo – e falhou.
Há, porém, um ponto de convergência incômodo para todos: o contraste com o tratamento dado a Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master. Enquanto Costa teve o pedido de acordo de confidencialidade negado, Vorcaro conseguiu firmar tratativas com PF e PGR, ainda que também hesite em entregar aliados e em devolver valores cobrados. O resultado é um cenário em que governo e oposição leem a mesma canetada de Gonet de formas opostas – mas ambos admitem que o jogo da delação, no caso Master, está longe de ter acabado.
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