Vereador do PT Senival Moura é preso em SP por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC
Vereador do PT Senival Moura é preso em SP por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC Um vereador histórico do PT em São Paulo, um esquema milionário de lavagem ligado ao PCC e um partido em plena corrida eleitoral tentando apagar o incêndio sem alimentar o discurso bolsonarista. A prisão temporária de Senival Moura, alvo da Operação Última Parada, virou campo de batalha político instantâneo.
De um lado, a oposição trata o caso como prova cabal de promiscuidade entre PT e crime organizado. A Revista Oeste destaca que Senival teria sido “jurado de morte” pelo PCC por desviar recursos e só foi poupado após prometer ressarcir o dinheiro, segundo a polícia. O mesmo veículo o retrata como “petista envolvido em lavagem de dinheiro para o PCC” via a Transunião, empresa de ônibus que ele controlaria de fato, embora sem cargo formal. A ofensiva política avança também dentro da Câmara: a vereadora Amanda Vettorazzo pediu à Corregedoria processo disciplinar por quebra de decoro, lembrando que cabe ao Legislativo decidir se ele pode continuar no cargo.
No campo governista e institucional, o tom é de contenção de danos e ênfase no “caso individual”. A Folha relata que a polícia vê Senival como principal beneficiário dos repasses da Transunião e que ele teria sido poupado pelo PCC após se comprometer a devolver valores desviados. O diretório municipal do PT encaminhou o caso ao Conselho de Ética e fala em possíveis “medidas disciplinares cabíveis”, incluindo afastamento cautelar ou expulsão, reiterando que não compactua com práticas ilícitas e defendendo ampla defesa.
A pré-campanha de Lula monitora de perto: dirigentes veem risco de o episódio alimentar a narrativa de Flávio Bolsonaro de que o PT flerta com o crime organizado e pressionam pela expulsão de Senival para “estancar a crise”. Fernando Haddad insiste que “questão ética não é questão partidária” e cobra que tudo seja passado a limpo, “envolvendo bolsonarista, centrão, quem for”.
Já a defesa de Senival reage politizando o timing: fala em “profunda indignação” com uma prisão decretada “às vésperas do período eleitoral”, questiona os fundamentos da medida e afirma ter “convicção” de que ficará provada a inexistência de conduta ilícita. Enquanto isso, o cerco criminal se alarga: o Ministério Público e a polícia descrevem uma estrutura paralela na Transunião para lavar dinheiro do PCC, com bloqueio de cerca de R$ 194 milhões em bens e conexões até com o caso Deolane Bezerra.
Entre a narrativa da “confirmação” de um estigma e o discurso de “caso isolado” com direito à defesa, o que a Operação Última Parada já garantiu é mais um capítulo tóxico na disputa por quem fala em nome da “lei e da ordem” no Brasil.
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