Lula anuncia retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS)

O presidente Lula participou da cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) em Três Lagoas (MS), paralisada há 12 anos. Com um investimento de mais de R$ 5 bilhões da Petrobras, o projeto visa reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e gerar cerca de 8 mil empregos.
Lula anuncia retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS)

Lula anuncia retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS) Lula ressuscita, 12 anos depois, a maior fábrica de fertilizantes do Centro-Oeste. Para o governo, é soberania e segurança alimentar; para a oposição, é gastar bilhões para desenterrar um símbolo do ciclo Dilma e da Lava Jato.

Soberania, PAC e fertilizante “made in Brazil”

Na narrativa oficial, a UFN-III é peça-chave de um novo projeto de país. A obra, paralisada desde 2014, volta com mais de R$ 5 bilhões da Petrobras e amparo no Novo PAC para entrar em operação em 2029, produzindo 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano, o equivalente a 15%–16% da demanda nacional. Lula fala em independência: o Brasil não pode ser “refém” de fertilizantes importados, especialmente da Rússia, e precisa recuperar a capacidade produtiva interna para garantir comida mais barata na mesa e segurança alimentar.

O governo também vende a obra como vitrine social: promessa de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos e um programa de qualificação (“Autonomia e Renda Três Lagoas”) com 1,4 mil vagas de cursos técnicos para atender à demanda da fábrica.

Emprego, agronegócio e logística

Outro ponto em comum entre governo e parte da imprensa é o ganho para o agronegócio. A planta em Três Lagoas, no coração do Centro-Oeste — região que responde por cerca de 40% da demanda nacional de ureia — promete reduzir custos logísticos para milho, cana, algodão e pecuária, aproximando o insumo dos grandes polos agrícolas. Para a Petrobras, trata-se de um “empreendimento estratégico”, já fatiado em diversos lotes para aumentar concorrência e mitigar riscos de grandes contratos concentrados.

“Gasto” bilionário e fantasma da Lava Jato

A oposição enxerga outra coisa: “Lula vai gastar mais R$ 5 bilhões para concluir obra parada desde o governo Dilma”, resume um veículo crítico, sublinhando que o projeto começou ainda em 2011, chegou a 80% de execução e foi atropelado por crise financeira da Petrobras e pela Operação Lava Jato, que atingiu diretamente a empreiteira Galvão Engenharia.

Nessa leitura, a retomada é tanto ajuste de rota técnico — um ativo já 80% pronto seria menos arriscado que um projeto novo — quanto ato político: reabilitar um símbolo da era petista e recolocar a Petrobras no centro da política industrial.

O consenso incômodo: dependência externa

Mesmo quem critica o preço da decisão admite o diagnóstico do governo: o Brasil é excessivamente dependente de fertilizantes importados, e isso é um risco estratégico. A disputa, no fundo, não é sobre a necessidade de produzir mais fertilizantes aqui, mas sobre o custo — financeiro e político — de ressuscitar uma obra que carrega no concreto as cicatrizes de Dilma, Lava Jato e do vaivém da Petrobras.

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