Governo regulamenta uso do FGTS como garantia para consignado de trabalhadores da CLT

O governo regulamentou a modalidade de crédito consignado para trabalhadores do setor privado com garantia do FGTS. A nova regra permite o uso de até 10% do saldo da conta e 100% da multa rescisória como garantia, com uma taxa de juros limitada a 1,99% ao mês. A medida visa facilitar o acesso a crédito mais barato, mas entidades de defesa do consumidor recomendam cautela.
Governo regulamenta uso do FGTS como garantia para consignado de trabalhadores da CLT

Governo regulamenta uso do FGTS como garantia para consignado de trabalhadores da CLT O governo abriu o cofre do FGTS para baratear o crédito, mas colocou o trabalhador diante de um dilema: usar a reserva para emergências futuras ou trocá-la por dívida mais barata agora.

De um lado, o Planalto vende a novidade como avanço social e financeiro. A regulamentação do chamado “Consignado CLT” permite que trabalhadores da iniciativa privada usem até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia para empréstimos com desconto em folha, com juros limitados a 1,99% ao mês — quase metade da média atual cobrada no consignado privado sem essa garantia. A medida pretende reduzir o custo do crédito para quem hoje recorre ao rotativo do cartão ou ao cheque especial, onde as taxas explodem.

Do outro lado, entidades de defesa do consumidor ligam o alerta. Elas lembram que o FGTS é, na prática, a poupança compulsória do trabalhador para demissão, doença grave ou compra da casa própria. Comprometer essa reserva para aliviar o presente pode significar chegar desprotegido ao futuro, sobretudo em um mercado de trabalho ainda instável.

Há também nuances técnicas que aumentam a complexidade. Quando o empréstimo é contratado na Carteira de Trabalho Digital, o banco precisa ofertar crédito com valor equivalente a 100% da garantia; já nos apps dos bancos, a proposta pode ser de 50% da garantia. Além disso, o teto de 1,99% é bem menor que os 4,98% do consignado privado tradicional, mas ainda é maior que os 1,85% cobrados de aposentados do INSS, que seguem com as melhores condições do mercado.

No fim, governo e sistema financeiro ganham escala e segurança; o trabalhador ganha acesso a crédito mais barato — desde que não transforme o último colchão de proteção, o FGTS, em simples moeda de troca com o banco.

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