Rota de migração de cubanos para o Brasil é marcada por exploração de 'coiotes'
Rota de migração de cubanos para o Brasil é marcada por exploração de ‘coiotes’ Cubanos estão atravessando selva, rios e extorsão para chegar ao Brasil, enquanto o Estado brasileiro ainda decide se essa é uma crise pontual ou um novo capítulo da migração regional.
Rota de fuga: o drama dos cubanos
As reportagens descrevem em tom quase de alerta “a dura realidade da travessia com coiotes”: fome, abandono e medo na rota que sai de Havana, passa por Georgetown, na Guiana, segue até Lethem e cruza irregularmente para Bonfim (RR) em botes precários. Ao longo do caminho, os migrantes enfrentam dias sem comida, desidratação, separação de famílias e cobranças que chegam a US$ 10 mil por uma viagem clandestina até Boa Vista — apesar de existir a possibilidade de pedir refúgio de forma legal e gratuita.
Se em Cuba a vida é marcada por cortes constantes de energia — com relatos de até 36 horas sem luz para apenas duas de iluminação — a travessia é descrita por quem a faz como “a pior experiência da vida”.
Quando o resgate cresce mais rápido que a estrutura
Na ponta brasileira, o foco governista é duplo. De um lado, enfatiza-se a ação do Estado: em apenas uma semana, 189 cubanos aliciados por coiotes foram resgatados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), número quase duas vezes maior que a soma dos flagrantes dos dois últimos anos. A estatística acompanha dados do Ministério da Justiça mostrando que, pela primeira vez em uma década, os pedidos de refúgio de cubanos em Roraima superaram os de venezuelanos.
De outro, as mesmas reportagens deixam exposta a contradição: enquanto há uma operação estruturada para venezuelanos, “o aumento do fluxo expõe a ausência de uma estrutura organizada pelo governo brasileiro para acolhimento” dos cubanos. Assim, o Estado aparece ao mesmo tempo como salvador de última hora e como ausente na prevenção — entrando em cena apenas depois que os coiotes já fizeram o estrago.
https://resumosbrasil.com/stories/019f0880-2b69-06f0-70fc-1b0a76f9b8ae
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