Israel bombardeia Líbano após acordo de paz; Hezbollah rejeita pacto
Israel bombardeia Líbano após acordo de paz; Hezbollah rejeita pacto Israel, Líbano e EUA assinam um acordo de “paz duradoura” em Washington — e menos de 24 horas depois já há drones, bombardeios e discursos de guerra no sul do Líbano. O papel diz trégua; o campo de batalha diz outra coisa.
Acordo de paz no papel, bombas no solo
Do lado institucional, o pacto é vendido como “primeiro passo” para encerrar décadas de hostilidades, com retirada gradual de Israel e avanço do Exército libanês para o sul, condicionado ao desarmamento do Hezbollah. Para Washington, o texto cria “uma estrutura para uma paz e segurança duradouras”, ainda que “seja o começo do começo”.
Na prática, menos de um dia após a assinatura, um drone israelense atinge a região de Nabatieh, no sul do Líbano, lançando dúvidas sobre a trégua e escancarando a fragilidade do entendimento. Outra reportagem registra novos bombardeios israelenses na mesma área, sob a justificativa de neutralizar um “terrorista” que ameaçaria militares de Israel.
Beirute oficial x Hezbollah
O presidente libanês Joseph Aoun ecoa o discurso americano: o acordo seria “primeiro passo” para restaurar a soberania, livre de “ocupação” e “subordinação”. Paralelamente, a delegação libanesa em Washington endurece o tom, exigindo “retirada total de Israel do sul do país” e um cronograma rígido para a saída das tropas, após uma ofensiva que deixou milhares de mortos e um milhão de deslocados.
O Hezbollah, porém, joga o acordo na lata de lixo. Para o líder Naim Qassem, trata-se de uma “rendição humilhante”, “nulo e sem efeito”, uma “humilhação” e “renúncia à soberania”. O grupo promete seguir “em campo até expulsar a ocupação”, rejeitando qualquer desarmamento.
Israel entre autodefesa e ocupação
Tel Aviv, por sua vez, sustenta que continuará atacando alvos ligados ao Hezbollah enquanto enxergar ameaça, mesmo sob o novo acordo. O texto assinado garante a ambos os lados o “direito inerente à autodefesa” e prevê um anexo de segurança secreto, abrindo espaço para leituras opostas: Israel fala em combater “terroristas”; Beirute e Hezbollah veem legitimação da “ocupação” prolongada.
No fim, todos dizem buscar paz — mas cada lado quer que ela pareça a sua própria vitória.
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