Secretário de Estado dos EUA agradece a Flávio Bolsonaro por oferecer "equipe de transição"

Em uma carta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, agradeceu ao senador Flávio Bolsonaro pela oferta de colocar sua equipe de transição à disposição para negociar acordos comerciais caso seja eleito presidente do Brasil. A oferta gerou críticas e foi vista como um ato de subserviência.
Secretário de Estado dos EUA agradece a Flávio Bolsonaro por oferecer "equipe de transição"

Secretário de Estado dos EUA agradece a Flávio Bolsonaro por oferecer “equipe de transição” Flávio Bolsonaro ofereceu sua futura “equipe de transição” ao governo dos Estados Unidos antes mesmo de as urnas abrirem. A carta de agradecimento do secretário de Estado Marco Rubio tornou público o acerto e acendeu um alerta sobre até onde vai a boa vizinhança — e onde começa a tutela estrangeira.

De um lado, a imprensa crítica fala em capitulação. Para o Brasil 247, Flávio “entrega a soberania brasileira aos Estados Unidos” e protagoniza “subserviência, entreguismo e alta traição ao Brasil”. Em outro texto, as missivas são rotuladas como “cartas entreguistas”, que reeditam o velho bordão da direita servis aos EUA: pular o intermediário e convidar diretamente Washington a participar da montagem do governo desde a transição. No portal Vermelho, o gesto é descrito como o momento em que o senador “consolida seu viralatismo ao oferecer transição aos EUA”.

Já o registro factual mostra que Rubio, em resposta a ofício de Flávio, agradece a “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito”, dizendo que os EUA estão prontos para trabalhar por um “acordo de comércio e investimentos” amplo e “mutuamente benéfico”. A legislação brasileira, porém, prevê equipe de transição apenas entre governo eleito e governo que deixa o poder, não com governo estrangeiro.

Na trincheira bolsonarista, o episódio vira troféu. O comentarista Paulo Figueiredo celebra no X que Rubio “sinaliza disposição de trabalhar” com Flávio se ele for eleito e chama a carta de “maravilhosa”, dizendo que ela “expõe a boa relação entre eles” e confirma a suposta intransigência do governo Lula. A Revista Fórum, por sua vez, enquadra o mesmo movimento como parte de uma “transição submissa a Trump”, relatando que Figueiredo e Flávio atuam para adiar um tarifaço americano — o “TariFlávio” — que poderia fortalecer Lula com um discurso nacionalista.

No fim, o mesmo documento é vendido pela direita como chancela internacional e, pela esquerda, como atestado de tutelagem. O que ninguém contesta é o fato político central: um candidato à Presidência ofereceu, por escrito, incluir Washington na sala de comando antes mesmo de saber se terá a chave do Planalto.

https://resumosbrasil.com/stories/019f0b13-57b1-1c5b-719e-32ca4caa58cf

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